Vivências culturais marcam ocupação do Cáritas

Com o objetivo de aproximar os movimentos culturais e sociais do Centro Social Cáritas e promover um olhar diferenciado da população para o local, os grupos Samba de Lenço de Piracicaba e Baque Caipira realizam vivência no próximo sábado (24), às 13h30 e às 15h30, respectivamente, durante o evento de ocupação do espaço. As oficinas contam com a participação do público, que interage com os movimentos. A entrada é gratuita, mas os organizadores solicitam a doação de produtos de limpeza.
 
O intuito, segundo o coordenador da ocupação e presidente da Mão Acolhedora, Bruno Campos, é que a população tenha contato com a cultura piracicabana. “Nosso lema é cultura e assistência social, que são os pilares para o cidadão caminhar na sociedade. Eu acho de suma importância a parte cultural estar envolvida com a educação e com a sociedade. O espaço, que teve início com atividades de artesanato, abre um leque para as áreas culturais, geração de renda, esporte, lazer, serviço social, não só atuando na educação infantil. A cultura é o grande forte da cidade”, disse, acrescentando que a Casa de Cultura Hip Hop também é parceira das ações.
 
Para alavancar a cultura de resistência no espaço, o grupo Samba de Lenço, originado de matrizes africanas dos negros de raízes Bantu, com elementos oriundos da cultura portuguesa e indígena, ensinam aos participantes tudo sobre os instrumentos utilizados (tambor, um tamborim e um chocalho), como é o ritmo da música tocada, podendo ser cantada de improviso, formação estética, a história do Samba de Lenço e como ele é estruturado em Piracicaba, a moda e as vestimentas do grupo. Além disso, na ocasião, os visitantes terão a prática da dança, na qual duas fileiras são formadas, uma composta por homens e a outra por mulheres, e ambos trazem um lenço, com o qual tiram o par para os movimentos.
 
Segundo Ediana Maria de Arruda Raetano, líder do grupo, a expectativa para o evento é enriquecer o Cáritas com as manifestações culturais. “A ocupação é para reativar o espaço, além disso, traz vida ao bairro ao envolver a comunidade. Queremos transformar e promover mudanças”, contou ela. 
 
O grupo Baque Caipira também se reúne com os presentes na intenção de motivar a comunidade a participar da ocupação e a conhecer o maracatu de baque virado. “A importância do evento é não levantar a possibilidade das pessoas refletirem que a ocupação é algo pejorativo, pois é o sentido contrário. Estamos levando cultura para o Cáritas para mostrar que é uma forma de interagir com algo que representa a comunidade. A cultura tem esse sentido, de trazer o bem-estar em um lugar que é nosso”, explicou o fundador do Baque Caipira, o educador e pesquisador Maicon Araki. O trabalho do grupo, de acordo com ele, tem movimentado a cultura local e alcançado um grande reconhecimento socioeducativo e artístico na região.