Viver muito, e feliz

Não é segredo, lembrando um ditado antigo — falar é fácil, fazer é que são elas — todos sabem, pelo menos um pouco, o necessário para fazer o homem sorrir e conquistar a paz. 
 
Há um provérbio tibetano que diz: para viver bem e mais tempo é preciso comer metade, andar o dobro, rir o triplo e amar sem medida. 
 
Esse último conselho, amar sem medida, aparentemente está incompleto se se considerar os vários significados do verbo amar. O homem ama, a mulher ama, o filho ama, o avô e a avó, todos amam. Mas que focos são esses objetos do verbo amar? Seriam as pessoas, os amigos, os passarinhos, um cão, sua casa, seu lar, um automóvel, uma joia, um bom prato ou um bom vinho, ou alguém bem especial? 
 
Não parece certo amar tudo que agrada. 
 
Lembrando Luis Vaz Camões: O amor é fogo que arde sem se ver; é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente; é dor que desatina sem doer… 
 
O amor tem outra dimensão.
 
E o sexo, onde se encaixa? Será que é apenas uma função biológica do corpo movido pelo gene da perpetuação da espécie? Cada um tenha uma resposta.
 
Voltando aos tibetanos, apesar de todas as carências materiais, os tibetanos vivem em paz e vencem as dificuldades sem reclamar. É como se dores e problemas não existissem.
 
Na miséria existe um evidente paradoxo de lógica: como comer só metade se falta o inteiro?
 
A tranquilidade e a paz dos tibetanos talvez derivem do conceito da satisfação que só viver lhes basta, supondo que nada podem fazer para melhorar.
 
Os focos do amor da espécie humana são muitos a enumerar: a natureza, as pessoas, os animais, o trabalho, Deus, a quietude, a vida… Os indivíduos menos meditativos e mais afortunados amam o conforto e o aconchego e quase tudo que provém da inveja e da cobiça.
 
Porém, aquele que vive sem ter o que comer e com dores, não pode ser uma pessoa alegre; se for é porque está doente. 
 
É certo que a alegria nem sempre é sinal de saúde e de felicidade, se existem alegrias que são marcas da loucura.
 
Infelizmente há quem têm tudo, mas não percebe a felicidade disponível, nem as curtem, nem mesmo os amores.
 
Dan Buettner, escritor, pesquisador e colaborador da National Geographic, sustenta que em qualquer lugar da Terra veremos pessoas muito velhas alegres e pobres. 
 
Uma pesquisa de Buettner aponta características comuns na relação entre o homem, o meio e o modo como vivem em algumas regiões da terra pessoas nonagenárias e centenárias. 
 
A paz de espírito provém da simplicidade e do pouco. Os habitantes dessas comunidades vivem de forma inteligente, comem cereais integrais, verduras, amendoins e feijão, caminham muito, realizam trabalhos manuais, fazem tarefas domésticas e apresentam um senso comum de interação com a comunidade, ao contrário do homem moderno que vive superestressado pela busca do sucesso e angustiado do medo de perder. 
 
Sobre paradigmas e medo, Einstein afirmou que é mais fácil decompor um átomo do que um preconceito.
E lembrando o poeta Horacio: Carpe Diem! Colha o dia; aproveite o momento!