Você não escolheu, mas aconteceu!

Recomeçar é sempre possível e uma boa oportunidade de reconstituir uma família. Essa é uma tarefa desafiadora para cada um dos indivíduos envolvidos. E para que isso ocorra de maneira saudável é necessário entender a relação de pais e filhos, de forma que se mantenha fortalecida e que nem os padrastos ou madrastas ultrapassem seus limites.

Quando há interesse em iniciar um relacionamento com alguém que já tenha filhos é necessário entender que os filhos não podem ser deixados em segundo plano em nenhuma circunstância, mesmo que ocorra a chegada de um novo membro na família. Afinal, que o objetivo aqui é promover a restauração para uma nova configuração familiar.

E ao estabelecer um relacionamento nessas condições é necessário cautela com os comportamentos de modo que não seja invasivo para evitar confrontos ou ataques ao núcleo já existente. Assim será possível construir resultados mais favoráveis, constituindo uma relação harmônica, afetuosa sem impor a própria vontade ou modo que acredita ser o adequado

Independente do motivo que proporcionou a separação do casal, ou falecimento de uma das partes, não é possível substituir a figura do pai ou da mãe da criança, mesmo que sinta amor pelos filhos do seu parceiro ou parceira como se fossem seus. Lembre-se que eles não são e nem nunca serão.

Claro que se for solicitada sua participação, participe, mas sempre como coadjuvante. A forma de corrigir as condutas da criança/adolescentes deve ser alinhada e combinada com os pais. Castigar as crianças fisicamente é uma conduta considerada inadequada mesmo para os genitores, ainda pior se os filhos não são seus, pois essa conduta pode trazer intenso prejuízo e dificultar o relacionamento com o enteado. Controle suas emoções.

As crianças com idade inferior a 6 anos podem apresentar maior facilidade para respeitar um padrasto ou madrasta na família. Crianças no fim da infância, período pré púberes e ou adolescência já inseridos na escola, geralmente tendem a apresentar maior resistência para aceitar o novo relacionamento dos pais como autoridade que merecem respeito, no entanto investimentos afetivos conduzidos adequadamente podem extinguir possíveis dificuldades.

É necessário discernimento para não envolver-se em discussões ou conflitos entre seu parceiro ou parceira com o ex, e lembre-se de que não é correto envolver–se nesses assuntos, mesmo tendo a certeza que não exista nenhum resquício de relação sentimental. Afinal, existe o vínculo que prevalecerá pelo fato de terem filhos em comum. Não assuma atribuições que não são suas, faça apenas as que cabe a você.

Não participe de discussões do seu parceiro ou parceira com os filhos, se almeja que a relação com os entediados sejam favoráveis. É melhor deixar que lidem sozinhos com os próprios conflitos, pois palavras usadas em momentos inadequados podem promover ressentimentos difíceis de serem elaborados e resolvidos no futuro.

Não importa se você acha que o ex, não é uma pessoa boa, ou que tenha cometido muitos erros, neutralize-se não produzindo julgamentos sobre um dos pais do enteado para não criar imagens pouco apropriadas ou mesmo confusões e ou conflitos.

É importante ser compreensivo sem pressionar seu parceiro ou parceira pela necessidade de mais tempo ou exclusividade de seu tempo. É preciso equilíbrio entre os limites que devem ser respeitados e os momentos que podem ser compartilhados. Nunca esqueça que filhos precisam de seus pais, independente de sua presença e merecem ter seus genitores por perto. Portanto, os momentos de intimidade devem ser respeitados e compartilhados como uma família sempre que for possível.