121 anos de jornal e o leitor do século XXI

Foto: Pexels

por Marcelo Batuira Losso Pedroso

Mudou o leitor ou mudamos nós? Não existe resposta certa para essa pergunta nesses 121 anos de existência do Jornal de Piracicaba. O que mudou, por certo, foram os interesses de leitura. Sem falar, é claro, no meios de se entregar essa leitura. É muito genérico dizermos que tanto o nosso leitor de 1901 quanto o de 2021 esteja interessado em informações atualizadas sobre sua cidade. O leitor de 1901 já não existe mais. E o leitor de 2021 está lendo o jornal hoje. E é este que importa.

Mas o que o move a procurar um jornal de 121 anos para ler?

Essa resposta é simples: não é apenas a última notícia da cidade, pois esta já está em toda parte; é a credibilidade desses 121 anos em dar a informação mais próxima possível da realidade dos fatos. Você sabe que fulano morreu? Como morreu? Vamos conferir se isso é boato ou verdade, vamos procurar no Jornal de Piracicaba. É aqui que a notícia falsa perde a credibilidade e a verdadeira ganha notoriedade. Tivemos um exemplo claro sobre isso nas eleições passadas. Rotularam o Jornal de Piracicaba como veículo propagador de «fake news» apenas porque a informação dada não agradava ao concorrente principal do pleito eleitoral. Mas a verdade prevaleceu.

E o que será do jornal impresso em papel? Este ninguém sabe quanto irá durar. Num mundo digital em que crianças manejam com facilidade as telas de «smart phones», tablets e kindles, o lugar para o jornal impresso como veículo de informação vai perdendo lugar. Antigamente sempre tínhamos reclamação sobre o tamanho dos caracteres das palavras impressas: difícil de ler. Hoje é só deslisar dois dedos em direção oposta para ampliar a imagem em pdf na tela do celular.

Perdemos leitores? Sim, mas ganhamos outros tantos: hoje temos mais de meio milhão de visitantes por mês em nosso portal de notícias na web. Hoje o Google disponibiliza ferramentas analíticas de medição que nos dão outra realidade de leitura.
É o mesmo leitor de antes? Sim e não. Pode ser a mesma pessoa que hoje nos lê digitalmente, antes nos lia no papel impresso, porém, o interesse de leitura mudou muito. Não adianta lotar o leitor de notícias, matérias, reportagens agora que não há limite no universo digital, é preciso atenção na escolha do que se vai divulgar. É preciso saber o que se entrega ao leitor. E a que horas do dia essa informação vai ser entregue?

Antigamente contava muito a experiência do jornalista e o palpite certo na escolha das matérias a serem publicadas. Hoje nada disso conta, pois a tecnologia nos possibilita saber exatamente qual matéria, qual notícia e qual tema foi mais visualizado para leitura no dia, na semana ou no mês. Também sabemos onde o leitor leu a informação: no Instagram, no Facebook, no Twitter ou no Portal web. Mais de 85% dos nossos leitores digitais lêem o JP pelo celular e o lêem durante o dia todo. Cruzamos informações de acesso digital e leitura para saber qual o foco do interesse do leitor e em qual horário ele prefere ler. Também importa o quanto o leitor é ativo em seus comentários e engajamentos de leitura.

Uma vez disparada a edição digital para milhares de celulares, por meio do WhattsApp, esses acessos se multiplicam e um leitor reenvia para outro leitor em questão de segundos. Depois de algumas horas, já sabemos se a matéria x ou y está com maior ou menor engajamento. Mas o mais importante para nós é sabermos que aquela notícia super relevante dos gastos da Câmara dos Vereadores teve muito menos interesse de leitura do que a matéria sobre o retorno das castrações de animais na cidade. Assim, o assunto «pet» é hoje mais importante para o leitor do que o gasto de nossos vereadores.

Dar ao leitor aquilo que ele quer ler é algo que não mudou no Jornal de Piracicaba em 121 anos de história. E, assim, ao longo desses 121 anos, construímos confiança. Esse é nosso maior patrimônio.

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