32% dos moradores estão vivendo nas ruas há 2 anos

Realizado entre 20 de julho e 17 de agosto de 2021, estudo localizou 234 pessoas nessa situação

O Censo Municipal da População em Situação de Rua em 2021, de Piracicaba, divulgado nesta segunda-feira (13) pela prefeitura e pela Indsat (Indicados de Satisfação dos Serviços Públicos) aponta que apenas nos últimos dois anos, 32,2% das pessoas identificadas pela pesquisa passaram a morar nas ruas. Realizado entre os dias 20 de julho e 17 de agosto de 2021, o estudo localizou 234 pessoas em situação de rua em Piracicaba, das quais 198 responderam ao questionário completo aplicado no estudo. Dessas 84,8% informaram que querem sair das ruas; 54,5% não são de Piracicaba, mas 74,7% moram no município há mais de cinco anos.

Desenvolvido pela Smads (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social), pelo Crami (Centro Regional de Registro e Atenção aos Maus Tratos na Infância) e pela Indsat, o levantamento estatístico confirma uma tendência observada pela secretaria municipal no Cadastro Único: desde o final de 2019, o número de famílias inscritas no CadÚnico de Piracicaba em situação de extrema pobreza tem aumentado constantemente, ultrapassando hoje a casa de 10 mil famílias.

Segundo a Indsat, em fevereiro de 2020, a quantidade de inscritos aumentou ainda mais, aproximando-se da marca de 13 mil e com tendências de elevação. As informações observadas na cidade são similares ao cenário observado no restante do país: estudos divulgados pela Fundação Oswaldo Cruz revelam que, das 221 mil pessoas encontradas em situação de rua entre fevereiro e março de 2020, 31% estão nas ruas há menos de um ano; destas, 64% por perda de trabalho, moradia ou renda.

Em Piracicaba, o censo identificou que 23,7% dos entrevistados estão nas ruas há menos de um ano e 8,6% entre um a dois anos. Apesar de agravada pela pandemia, a condição também é causada por outras questões, como conflitos familiares (35,3%), dependência de álcool (21%), dependência de drogas ilícitas (19,1%), perda de trabalho (7,7%), perda de moradia (4,4%), perda de familiares (2,6%), regresso do sistema prisional (1,8%), entre outros.

O censo foi realizado pela primeira vez em Piracicaba e tem por objetivo analisar as condições das pessoas em situação de rua e compreender suas necessidades por meio da aplicação de um questionário digital.

A Indsat informou que o trabalho aconteceu de forma colaborativa, sem custos para a Administração Municipal.

Beto Silva
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