Trabalho Infantil é tema de exposição no Museu do Açúcar

São 18 banners com textos didáticos | Foto: Claudinho Coradini/JP

O galpão do Museu do Açúcar, no Engenho Central, abriga até sexta-feira (21), a mostra itinerante “Um Mundo Sem Trabalho Infantil”, promovida pelo Programa de Combate ao Trabalho Infantil e Estímulo à Aprendizagem da Justiça do Trabalho, em parceria com a Comissão de Documentação do TST. O objetivo do evento é retratar as piores formas de trabalho infantil, para que a sociedade exija o cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes, a fim de garantir a esses jovens um futuro digno e equilibrado.

A exposição chega a Piracicaba por iniciativa do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP), que entre tantos apoios, como a do Insituto Formar e da prefeitura, conta com elementos frutos da pequisa – em desenvolvimento – de Fernando Camargo, do Instituto Formar, junto a Karina Dobri.

Juntos, pesquisador social e assistente social, respectivamente, desenvolvem um diagnóstico sobre o trabalho infantil na cidade. “O projeto consiste, ainda, em apresentar um plano social ao município a respeito do tema”, ele conta.

São, ao todo, 18 banners com textos didáticos sobre trabalho infantil, com suporte de charges, fotos e ilustrações. O conteúdo, revela Camargo, foi desenvolvido a partir da ótica local sobre o assunto, e contém dados da cidade. “Num primeiro momento, e superficialmente, Piracicaba não aparenta ter problemas de trabalho infantil, no entanto, é, sim, uma realidade. Acontece que, na maioria das vezes, acontece de forma velada”, contextualiza o pesquisador.

A exposição, destaca Camargo, é uma ação relevante aos dias atuais. “A população precisa se conscientizar que trabalho infantil é crime, é uma violação dos direitos humanos e que pode se intensificar em momentos de crisa econômica e política. Afinal, é uma mão de obra barata, às vezes nem mesmo é remunerada”.

“Um Mundo Sem Trabalho Infantil” pode ser melhor compreendida se visitada na companhia de um monitor, que permanece no local, das 9 às 15h, para atender que pedir sua ajuda. Camargo afirma que escolas e instituições da cidade foram convidadas para conhecer a exposição.

A mostra retrata, ainda, como hoje, no Brasil, crianças e adolescentes dos cinco aos 17 anos são submetidos a expedientes extenuantes, muitas vezes nas piores formas de trabalho infantil, em carvoarias, lixões, empregos domésticos e outras formas de exploração. O problema, entretanto, vai muito além de trabalhos perigosos e insalubres, incluindo atividades criminosas como escravidão, abuso sexual e exploração infantil, como a exposição também revela.

SERVIÇO
“Um Mundo Sem Trabalho Infantil”, no galpão do Museu da Cana, no Parque do Engenho Central. Visitação gratuita até sexta-feira (21), das 9h às 15h.

Erick Tedesco ([email protected])