A arte de se reinventar e de ser flexível na vida e na carreira

Foto: Bruno Max

Mara Ferraz nasceu em Curitiba, mas tem em Piracicaba seu lar familiar e profissional, como jornalista e publicitária. Iniciou sua carreira aos 13 anos, com a gravação de comerciais para a TV, ainda em sua cidade natal. Mudou-se para São José do Rio Preto e continuou sua atividade como âncora de marcas importantes daquela região. Formada em Publicidade e Propaganda e Jornalismo pela faculdade Unilago e graduada em Comunicação pela Universidade de Coimbra, em Portugal, onde se estabeleceu por dois anos, Mara voltou ao Brasil onde exerceu a função de apresentadora do Programa Casa Fácil veiculado na Rede Vida em nível nacional por três anos, até que se mudou para o nosso município, onde foi colunista social do centenário Jornal de Piracicaba.

Em Piracicaba, também idealizou uma das mais importantes mídias impressas da região no setor editorial, a revista Trifatto. Um case de sucesso por mais de 12 anos, onde alavancou pessoas, marcas e criou um novo estilo de acompanhar o dia a dia social e corporativo, destinado ao público feminino.

Enquanto diretora editorial da revista tornou-se célebre gestora e atualmente exerce papel fundamental na consolidação de processos de comunicação. É autoridade no segmento de comportamento, onde atende inúmeros clientes como criadora de conteúdo para a internet, após perceber a mudança do consumidor frente à tecnologia.

Tornou-se referência como influenciadora e diferencia-se pelo seu pragmatismo e abordagem com simpatia, clareza e transparência. Aborda nas redes sociais, assuntos que inspiram seu público, que possui a faixa etária acima dos 40 anos. Nessa entrevista ao Persona, Mara Ferraz fala sobre carreira, maternidade e empreendedorismo.

Como e quando você começou a se interessar por jornalismo e pautas dedicadas ao público feminino?

O jornalismo entrou na minha vida ainda criança, assistindo o Jornal Nacional todos os dias. Era um momento obrigatório na minha casa e eu pensava que ou eu estaria um dia naquela bancada ou na rua fazendo reportagens e foi assim que eu me decidi. Eu era muito curiosa, queria saber tudo sobre as pessoas, como elas viviam e porque viviam daquela forma. No entanto, as coisas aconteceram de forma bem diferente (risos). Como eu sempre gostei de escrever e era algo no qual eu era muito elogiada pelas professoras de língua portuguesa, elas me orientaram que havia essa vertente da profissão, que era possível trabalhar com redação. Sempre fui muito comunicativa também e participava de tudo que a escola promovia, o que contribuiu muito. Conforme eu comecei a atuar na área e construir a minha carreira, minhas experiências me mostraram que falar com mulheres era algo nato e uma necessidade da minha condição, de passar para elas como nós nos sentimos com relação ao amor solidão, perda, recomeço, maternidade, amadurecimento, etc.
Fui uma adolescente que gastava todo o dinheiro ganhado comprando revistas femininas, deixava de comprar algo pra comer pra comprá-las e isso me moldou bastante, eu lia todas as matérias, mas principalmente as de comportamento. Quando eu saí do JP, pude me dedicar a maternidade e um dia, conheci as minhas ex-sócias e juntas fundamos a Trifatto, pela necessidade de uma revista destinada as mulheres, na cidade.

Houve algum incentivo por parte da sua família para seguir na carreira? Como é a sua relação com eles?

Ainda no meu casamento com o Marcus Vinícius Ferraz de Arruda, que era cirurgião cardiovascular e faleceu devido à um câncer, ele já me falava que eu tinha que trabalhar com conteúdo destinado as mulheres, que elas gostavam de ouvir o que eu poderia dizer. Conversar com o público feminino sempre pareceu natural, até porque eu faço terapia há mais de 30 anos, onde busco sempre o autoconhecimento e um caminho para poder ser melhor e compartilhar essa experiência com outras pessoas é sempre gratificante. Com o João Kleber, meu atual marido, o principal incentivo foi quando eu decidi sair da Trifatto para trabalhar de forma integral com a internet. Meus filhos também me apoiaram bastante, é um mundo masculino que enxerga as potencialidades do universo feminino, através dessa voz da Mara, que entende que tem muito a dividir.

Como você avalia a transição de impresso para o digital, no jornalismo?

A transição foi natural e necessária. A grande pergunta é se estávamos todos preparados para isso. Por mais que hoje se fale muito sobre empreendedorismo, acredito que a principal lição de tudo isso é empreendermos em nós mesmos, entender o que você quer para a sua vida e quais ferramentas irá utilizar. O impresso e o digital, juntos, podem fazer um tremendo barulho, mas as pessoas não conseguiram ainda entender as necessidades do digital e como trabalhar de forma adequada com ele, entender o que a sua audiência quer e como transferir isso ao seu negócio. Feito de maneira correta, o digital caminha sozinho, mas o impresso, não mais.

Você é mãe de dois rapazes. Quais as possibilidades que a maternidade trouxe?

Me trouxe o maior amor que eu poderia sentir na vida e também a maior responsabilidade. Ensinar a um homem a tratar alguém como você gostaria de ser tratada, com carinho e gentileza. Falar sobre sentimentos, frustrações e dar o exemplo e a inteligência emocional para que eles façam as melhores escolhas.

Você sentiu algum julgamento externo pela sua escolha profissional versus maternidade?

Recebi sim, das próprias mães dos colegas dos meus filhos nas escolas, mas era algo que eu buscava não dar importância. Elas diziam que eu trabalhava demais, logo, não teria tempo para cuidar deles.

Antes de se relacionar com o apresentador João Kleber, você foi viúva. Como foi pra você lidar com isso na criação dos seus filhos?

Foi difícil, permitir que alguém vai embora, aceitar o que aconteceu. O meu ex-marido faleceu dois meses após descobrir um câncer, não tivemos tempo de nos prepararmos. Criar filhos sozinha é uma tremenda responsabilidade, ainda mais quando você não fez essa escolha, como no meu caso. Essa escolha foi interrompida. O diálogo com meus filhos foi fundamental para esse recomeço, não teve um momento em que não falamos sobre como estávamos nos sentindo com relação a tudo isso.

Hoje você é criadora de conteúdo para a internet. Qual a responsabilidade de um influenciador pra você e a maior função social que você coloca no seu trabalho?

Falar a verdade, não existe dinheiro no mundo que pague a sua credibilidade. Você não pode fingir viver uma realidade que não é a sua, uma simpatia que você não tem ou uma dor que não sente.

Laís Seguin
[email protected]

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