A briga comigo é outra, tenho causa!

Em função de inúmeras reclamações, denúncias a nós e também as divulgadas pela imprensa, e por também ser vítima das “contas abusivas do Semae”, liderei o movimento “Piracicaba com Água e Esgoto a Preços Justos”, que coletou 1.200 assinaturas e, com base na Lei Orgânica do Município, entregamos na Câmara de Vereadores o abaixo-assinado com pedido de audiência pública para que o Semae desse explicações sobre a falta de água, as tarifas abusivas e o esgoto que ainda corre a céu aberto em diversas partes da cidade.

 

Protocolei na Câmara o abaixo-assinado, quando o presidente Gilmar Rotta me informou que um grupo de vereadores já havia protocolado um requerimento pedindo a audiência pública, logicamente numa tática de nos excluir do processo. Mas como nosso pleito era maior, uma vez que também questionávamos as tarifas abusivas e o esgoto, não somente a falta de água, garantiu-me que estes pontos também seriam tratados na audiência, conforme, realmente, acabou ocorrendo.

 

No entanto, na realização da audiência, na noite desta última quarta-feira, me excluíram do processo. O vereador André Bandeira (PSDB), autor do requerimento, conduziu os trabalhos e, no seu início, deixou bem claro as regras, com duas horas de duração, podendo ser prorrogado por mais de 30 minutos. A audiência teve início por volta das 19h30, com a galeria tomada, na sua maioria por populares inconformados com o que está ocorrendo no Semae, e que, aliás, só conseguiram entrar depois de se revoltarem por estarem na fila, debaixo de chuva, e o presidente da Câmara liberar as pulseirinhas de acesso.

 

A audiência já se estendia por um longo tempo, foi quando, percebendo que estava excluída do debate, reclamei da condução dos trabalhos e me retirei, em respeito a mi mesma. Deixei bem claro que sempre fui muito bem tratada na Câmara e que estava reclamando da condução dos trabalhos pelo vereador tucano, que se utilizou de uma funcionária do cerimonial da Casa para me colocar num canto do plenário e me retirar o direito de participação, de fazer as minhas perguntas, sem sequer aceitar a minha inscrição. Inclusive, isso fica muito bem claro, até porque, questionado pelo vereador Lair Braga, o tucano André Bandeira disse que a partir daquela hora falariam os vereadores. Se todos falassem, não haveria tempo hábil para eu falar, conforme as regras já determinadas anteriormente. Soube, depois, que a audiência se estendeu até mais tarde, mas lógico que num jogo para dizer que se ficasse falaria. Querem enganar a quem!

 

Ficar ali para aplaudir a enganação do presidente do Semae, que não respondeu claramente o quem tem provocado a falta de água e as contas abusivas, assim como não aceita que há, sim, esgoto correndo a céu aberto na cidade, como ficou bem claro apesar da desproporcionalidade de tempo, com o seu Françoso falando por 45 minutos, além dos técnicos da autarquia e o diretor da Ares-PCJ, este usou 15 minutos, enquanto que a população ficou com umas migalhas de minutos. Queríamos respostas e solução breve! O seu José Rubens Françoso não respondeu nada, tentou, sim, culpar a população pelas contas abusivas, como sendo a responsável por deixar a torneira aberta, ter uma válvula no banheiro com problemas… e tentou, ao longo do tempo, dizer que iria resolver os problemas de forma pontual, caso a caso. Tem que resolver de forma global, imagina se forem os 400 mil piracicabanos no Semae. Assim que ele vai levar a gestão pública? Isso não existe.

 

O fato é que a Câmara, que é a “Casa do Povo”, que deve ter o seu papel de cobrar e fiscalizar, fez o que quis. A Câmara é de quem eles querem. Não concordo, foram desrespeitosos para comigo e para com a população. Não tive a oportunidade de falar mesmo ficando quase por duas horas calada. Sou deputada estadual eleita, já diplomada, portanto, vou tomar posse em 15 de março e, desde a eleição, não parei de trabalhar, inclusive já garanti verba para a saúde de Piracicaba, através do deputado federal Vicentinho, além do que o próprio presidente da Câmara, Gilmar Rotta, que me atacou, dizendo que nenhum vereador irá me procurar, já me fez dois pedidos de emendas. Será que está abrindo mão de benefícios para a população piracicabana?!

 

Não há pedidos de desculpas a ser feito, como me cobra o senhor Gilmar Rotta, não devo nada a ninguém. O meu “barracão”, como se referiu ao meu escritório político no centro da cidade, está aberto para ajudar a população. Estive na Câmara pelo povo, não para fazer palanque eleitoral. Sou do PT, com muito orgulho e os 87.169 votos recebidos, sendo os mais de 4.400 em Piracicaba, têm que ser respeitados. Eu que tenho que pedir desculpas ou os senhores que conduziram aquela audiência pública, que esvaziaram o objetivo da audiência para enganar da população? Soube que falaram mal de mim na minha ausência. Que tal averiguar a legalidade disso. A boa conduta manda que me oficie e se fale na minha presença, porque quando falei, falei na presença de todos.

 

Sou cidadã piracicabana, nasci aqui, tenho moradia em Piracicaba, onde pago meus impostos, tenho respeito pela população de Piracicaba, assim como tenho pelos vereadores bem intencionados. Tenho certeza que o povo, principalmente, o mais humilde, me apoia, porque sou uma mulher que trabalha por uma causa e não para fazer palanque político, não preciso, já estou eleita, quero trabalhar por Piracicaba e pela população que precisa, que quer água em suas casas e a preço justo, que não aceitam mais esgoto correndo a céu aberto, colocando em risco a saúde das pessoas. Fiquem tranquilos, não sou candidata.

 

Esta luta só começou, não tentem suspender o debate. Pelo clamor da população, a Câmara deve resposta à sociedade, tem que abrir uma CPI e cobrar transparência do Semae. Pode ter a certeza de que estarei com toda força na defesa da água com preço justo para todos, vamos percorrer os bairros, dialogar com a população e realizaremos assembleias na frente do Semae e na Prefeitura, já que dois ou três vereadores não aceitam o cheiro do povo, para cobrar transparência do Semae, esta é minha causa.