A cada três lojistas, um vai ter que fechar as portas do seu negócio

CDL aponta que 28% dos lojistas não conseguem sobreviver mais um mês nesta situação (Foto: Amanda Vieira/JP)

Celebrado em 16 de julho, o dia do comerciante neste ano foi lembrado em meio ao maior desafio que a categoria já enfrentou. Com a pandemia da covid-19 e a necessidade do distanciamento social, desde março muitos comércios estão com as portas fechadas. E o impacto negativo no faturamento é sentido por muitos deles.

Um levantamento do IBGE revelou que, no primeiro semestre deste ano, 4 em cada 10 empresas fecharam temporária ou definitivamente no país pelo ao impacto da pandemia. O nome da pesquisa é “Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas”.

Em Piracicaba, levantamento feito pela CDL (Câmara Dirigentes Lojistas) há cerca de 15 dias traz um cenário de que 28% das empresas do comércio da cidade não teriam condições de sobrevivência com mais um mês de portas fechadas.

“A cada 15, 20 dias, a gente faz um levantamento. A tendência foi crescendo, a gente não sabe até onde vai chegar. […] Ele pode manter a loja aberta, desde que ele possa pagar o aluguel. As imobiliárias têm feito alguns arranjos, mas vai chegar uma hora que não entra freguês, não tem venda [e] não tem dinheiro. Aquela reserva que ele fez já foi”, explica o 1º vice-presidente da CDL, Antônio Pedro de Carvalho.

Na loja do ramo de vestuário em que Cláucia Lopes da Silva é gerente, mesmo com o avanço nas redes sociais para fazer vendas online, o faturamento caiu 70%. Metade dos funcionários estão afastados com salário pago pelo governo. “Está sendo um trabalho novo, está dando resultado, mas 30% do que nós vendíamos, só para a gente conseguir manter aluguel, os funcionários”, comenta.

Como não sabe até quando a pandemia vai durar, a loja de Cláucia investe também em uma loja virtual, que, junto às redes sociais, tem sido uma alternativa para continuar os negócios para muitos comerciantes, conforme lembra Carlos Beltrame, secretário-executivo do Sincomércio Piracicaba. “É uma coisa que vinha de forma lenta, crescendo a cada ano, mas – de repente – para muitas empresas era a única opção, não tinha como fugir, então isso cresceu muito”, avalia.

Mas Beltrame observa que não é o suficiente e, assim como o presidente da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), Luiz Carlos Furtuoso, avalia que o comércio no interior “começou a fechar um pouco cedo”.

Beltrame avalia também que o governo – em todas as esferas – não apresentou ações que dessem garantias reais às empresas. “O governo do estado liberou R$650mi para o Banco do Povo e para o Desenvolve São Paulo. R$650mi não dá um dia do faturamento do comércio varejista do estado”, comenta.

A proprietária de uma ótica no centro, Celma Piacentini, sente que – pela queda de até 50% no faturamento – a redução da jornada dos funcionários não tem ajudado para fechar as contas no final do mês. Além disso, também enfrenta a inadimplência na faixa de 40%. “Prejudica muito, você já foi, já pagou [o produto]”, diz.

“A maior parte das empresas estão paralisadas, e se estiver fazendo algum faturamento ele é bem inferior à realidade da empresa. Ela está assumindo um prejuízo que não é pequeno. O comércio virou o grande vilão da pandemia, mas tanto é que está fechado e os números estão aumentando,” avalia Furtuoso. “Agora deixa de ser um problema só de saúde e passa a ser um problema social”, finaliza.

Andressa Mota

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite o seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

vinte + dez =