A Doença do Século

Médicos avisam que quanto mais cedo o diagnóstico, melhor (Foto: Pexels)

Já faz um tempo desde que a depressão foi considerada doença. Muitos pesquisadores desta enfermidade consideram a depressão como o “A Doença do Século” e não estão errados. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) cerca de 300 milhões de pessoas possuam essa doença que pode levar a morte.
Para a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) a depressão é resultado de uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos. “Pessoas que passaram por eventos adversos durante a vida (desemprego, luto, trauma psicológico) são mais propensas a desenvolver depressão. A depressão pode, por sua vez, levar a mais estresse e disfunção e piorar a situação de vida da pessoa afetada e o transtorno em si” informa a instituição.
Assim como muitas doenças, essa também não vê distinção de cores, gêneros, poder aquisitivo ou mesmo idade. Engana-se quem acredita que crianças e adolescentes não podem desenvolver esse tipo de problema e os pais devem ficar atentos, pois se não tratada, pode acarretar problemas piores na vida adulta se chegarem. De acordo com a Opas, o suicídio foi a terceira causa de mais mortes entre os jovens, cerca de 12 mil adolescentes cometem este ato por ano. “Quanto antes identificamos os sintomas da depressão, mais rápido podemos tomar as medidas e ações necessárias para evitar que as manifestações se agravem e coloquem a criança ou o adolescente em situações de risco”, diz a psicanalista Vera Ferrari R. Barros, coordenadora do Núcleo de Estudos da Depressão entre Crianças e Adolescentes da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo)
Nesse contexto, o papel do pediatra é fundamental na observação de sinais que sirvam de alerta e que possam se antepor a situações mais críticas, por meio de um diagnóstico precoce. As consultas de rotina e a maior proximidade com os pacientes e seus familiares permitem, ou ao menos facilitam, a percepção de alterações clínicas e comportamentais iniciais, às vezes ainda sutis, de quadros depressivos.
Pensando nestes casos que vem aumentando devido a reclusão na pandemia a SPSP criou a campanha Maio Amarelo – Depressão entre crianças e adolescentes: pare, observe, acolha, sob coordenação do Núcleo de Estudos da Depressão entre Crianças e Adolescentes da SPSP.
O objetivo principal é manter uma discussão perene sobre a depressão na faixa etária pediátrica, suas causas, consequências, prevenção e formas de tratamento. A campanha pretende atuar em vários níveis e instâncias que lidam com a criança e com o adolescente para que possa oferecer os meios necessários para a detecção, acolhimento, prevenção e tratamento da depressão e das situações de risco que esta determina.
Claudio Barsanti, coordenador das Campanhas da SPSP, ressalta a importância de se manter essa discussão viva da melhor forma possível seguindo orientações de profissionais da área. “A depressão não deixa de existir porque não se fala sobre o assunto. O diagnóstico precoce nos dá mais condições de impedir que crianças e adolescentes caminhem por um espaço nebuloso e perigoso. Manter o assunto em discussão em todas as suas formas e manifestações, com consciência de que ele existe, nos mantêm alertas para observar e procurar formas de acolher”, conclui o pediatra.

Assinatura: Larissa Anunciato
Email: [email protected]

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