A força da ordem

“O divórcio entre a liberdade e a ordem produziu a catástrofe das liberdades humanas”. (Juan Donoso Cortés) O vocábulo ordem abrange uma variedade de significados, entre eles: disposição de elementos e organização deles num conjunto. Organização estruturada segundo certos princípios. Sistema de leis e das instituições que regem uma sociedade no plano político, econômico, administrativo, etc. Lei geral proveniente do costume, da autoridade. Igualmente dele provém inúmeras expressões como: dar uma ordem = comandar, ordenar. Sabemos que os primeiros agrupamentos humanos cedo descobriram que necessitavam de leis, para manter seus membros dentro de uma ordem tal, para não haver distúrbios e abusos. Primeiro código de leis foi o do rei Hamurabi, da antiga Mesopotâmia, hoje Iraque. Eram poucas as leis, mas de uma severidade suficiente para impor a ordem. O prolífero Marques de Maricá nos deixou essa preciosa máxima: “A ordem pública periga onde não se castiga”. Um mundo caótico seria não apenas incompreensível, como indesejável, mas diante do desejo do espírito humano para descobrir uma ordem para o mundo, contrapõe-se o anseio de liberdade sempre muito acentuado nas pessoas. Esopo, no quinto século a.C., em sua fábula “O lobo e o cão” escreveu: “Não há ouro bastante para pagar a liberdade”. Esse vocábulo também abrange vários significados: faculdade de fazer ou de não fazer qualquer coisa, de escolher. Independência. Este desejo que lateja fortemente em nossos corações é tolhido pelas normas e regras impostas a todo aquele que faz parte de um grupo, de uma instituição ou de um país. Shakespeare nos advertiu: “A liberdade indócil é domada pela própria desgraça”. De fato, a liberdade dócil é exercida pelas pessoas boas, que não abusam, os maus não amam a liberdade, mas a licenciosidade, ou seja, o desregramento dos costumes. Esta introdução toda é para comentar, em poucas palavras, o que está acontecendo com duas instituições, a Igreja Católica e o Estado Nacional. Quanto à primeira, comento o principal enfoque dado pela mídia à visita do Papa ao Brasil: “Doutrina pode virar, só moralismo”; “João Paulo II era um conservador intuitivo, uma figura amena, com enorme capacidade agregadora. Bento 16 é muito preparado intelectualmente, mas sua mensagem quase sempre é de confronto, recusa e repreensão. Ameaçada pela permissividade do mundo moderno, a Igreja se fecha sobre si mesma e dobra a aposta no desacordo que se escancarou entre ela (ou sua doutrina) e a vida particular de seus fiéis”. Estes dois comentários foram tirados da Folha de São Paulo. Houve outros parecidos nos demais veículos de comunicação. Sabemos que a Igreja, inutilmente perseguida em seu início pelos romanos, com torturas e assassinatos – “O sangue dos mártires era sementeira de cristãos” – com a ajuda do imperador Constantino tornou a instituição que nos deu uma pálida idéia de sua grandiosidade na visita de Bento 16. Essa durabilidade deve-se à solidez de sua doutrina. Como bem escreveu Carlos Heitor Cony (se não me engano) – “Ser católico não é para quem quer, mas para quem pode”, ou seja, quem consegue e quer cumprir com as obrigações impostas pela Igreja. Aliás, em toda instituição é assim. Sem um comando firme, sem normas rígidas e sem punição pelas faltas, qualquer organização desmorona. É o que está acontecendo com as escolas e as famílias – o abuso da liberdade transformou-se em desregramento tal que impossibilita qualquer ordenamento A globalização da economia e a rede mundial de comunicações desafiam a autoridade dos governos. O sonho de ter organizações como a ONU e a União Européia que superem os mega conflitos e protejam melhor os direitos humanos dos indivíduos, até agora não se concretizou. Por sua vez, a formação dos Estados Nacionais foi o meio mais eficiente que se encontrou para promover a defesa de uma população contra predadores externos e garantir segurança contra os internos. O enfraquecimento deles, Estados Nacionais, proporcionou o fortalecimento das máfias, dos traficantes e de toda sorte de desordeiros.

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