A herança da pandemia

Uma pandemia mundial desorganiza a vida de toda população com o isolamento social, medo, incertezas em relação ao futuro, mudanças na configuração das relações sociais, dentre muitos outros fatores que esse momento estimula na vida das pessoas podendo culminar em transtornos como depressão, ansiedade, conflitos em geral com disfuncionalidades nos lares.

É necessário refletirmos formas de preservar a saúde mental nesse momento tão delicado e também quando tudo isso cessar, pois a tendência é depararmos com uma sociedade sedenta em busca de bem-estar, mediante o disparado índice de adoecimento psíquico que esse período promoverá na população.

Estudos recentes apontam que as mulheres são quem mais sofrem com a sobrecarga psicológica, pois os índices de ansiedade entre as mulheres configuravam-se em altas taxas mesmo antes da pandemia. O atual cenário estimula o esse aumento, pois na maioria das famílias as mulheres tendem a acumular diferentes atividades e maior senso de responsabilidade e cuidados quando comparados aos homens.

A preocupação em não se contaminar e permanecer garantindo a estabilidade da condição financeira da família enquanto trabalham em “home” e cuidando dos filhos, estimulou o aumento de homens e mulheres que sentiram e compartilharam abalos psicológicos desde de o início do confinamento, no Brasil em 20 de março. A diferença dos dados coletados entre homens e mulheres, alertam os especialistas, que avaliam a possibilidade de um aumento significativo dos índices de ansiedade sentidos pela população, podendo gerar problemas mais graves em parte da população em momentos posteriores a pandemia.

A rede de apoio externa, como escola, creche ou mesmo parentes que costumavam amparar os pais com os cuidados das crianças em suas ausências, foram suprimidas com a pandemia, estimulando as discrepâncias domésticas. As mulheres apresentam uma tendência maior em tentarem resolver tudo, chegando ao seu limite máximo. Embora o índice aumentado de ansiedade nas mulheres, todos são afetados, inclusive crianças, adolescentes e idosos (homens e mulheres) com comorbidades, que são a população que mais descrevem medo da morte, com a possibilidade do contagio.

Desta forma percebemos que o coronavírus tem uma prescrição diferente e penosa para ser contido, com o isolamento social, sendo a principal providência para não se contagiar, porém a grande dificuldade com essa iniciativa ou tentativa é que para manter o corpo saudável, o psíquico pode adoecer. O coronavírus tem promovido obrigatoriamente nos indivíduos a mudança dos hábitos, nada de aperto de mão, abraço, ou qualquer demonstração de carinho por meio do contato físico.

E mesmo com os recursos das mídias sociais, internet e dos celulares, os seres humanos ainda precisam de interação social, por meio de relações humanas presenciais, pois nos desenvolvemos como pessoas acostumadas com a escolha em sair de casa quando assim desejássemos. Desta forma, com a falta de movimento das escolhas, estimula-se a tendência em desenvolver uma melancolia, devido à situação ser vivenciada de maneira forçada.

Ainda vale lembrar que a guerra contra esse inimigo invisível, não tem data estipulada para chegar ao fim, e sairmos do enclausuramento para retomar a uma nova normalidade. A pandemia da covid-19 tem promovido uma grande transição em nossa sociedade, um caminho sem volta, ou seja, não voltaremos a viver como antes e precisaremos desenvolver estratégias para avançarmos rumo ao futuro, com o novo normal, buscando equilibrar nossas ansiedades.