‘A ideia é novamente fazer um ótimo trabalho à frente do XV’

O técnico Cléber Nelson de Andrade Raphaelli, 47, ou simplesmente Cléber Gaúcho, está de volta a sua casa. Gaúcho de Camaquã-RS, mas com alma piracicabana – desembarcou pela primeira vez aqui em 1995, ainda como jogador -, o comandante chega para dirigir o Alvinegro pela quinta vez em sua carreira. E sonha alto: quer fazer uma boa campanha na Copa Paulista, competição que, por sinal, conhece muito bem, porque foi campeão com o XV em 2016 e semifinalista em outras duas oportunidades. Foi escolhido pela diretoria quinzista justamente por sua facilidade em trabalhar com os mais jovens, pois, sem recursos, o Alvinegro vai muito pouco ao mercado nesse segundo semestre. A meta é revelar jovens promessas em uma safra que parece ser ótima, já que o Sub-20 quinzista vem dando ótimos resultados em 2022. Nessa entrevista exclusiva ao JP, Cléber Gaúcho conta um pouco dos seus planos para o time. Veja abaixo:

Cléber, antes de ser treinador do XV de Novembro, você foi atleta do clube. A sua maior conquista por aqui foi o Brasileiro da Série C?

Foi sim. Fui campeão brasileiro de 1995 no primeiro ano que cheguei aqui. O XV foi rebaixado naquele ano do Paulista da Série A1 para a Série A2. Houve uma reformulação total no XV para disputar o Campeonato Brasileiro da Série C. Eu cheguei nessa leva de atletas novos e isso deu uma oxigenada no clube. Mudou os ares e nós tivemos a felicidade de já no campeonato seguinte ao descenso da equipe poder sermos campeões com o XV do Brasileiro da Série C.

Você saiu do clube e quando voltou já foi como auxiliar técnico?

Quando eu retornei ao XV em 2011, eu fui convidado para ser auxiliar técnico da casa (permanente). Então, eu trabalhei aqui no XV de 2011 a 2014, mas sempre alternando. Em 2013, o XV me deu oportunidade de ser o técnico na Copa Paulista, quando chegamos até a semifinal, usando também muito a base, ou seja, muito parecido com a situação atual. Em 2014, eu fui o técnico novamente da Copa Paulista, quando também fomos até a semifinal. Em 2013, nós perdemos para o São Bernardo e o São Bernardo foi campeão; em 2014, nós perdemos a semifinal para o Santo André e o Santo André também foi campeão da Copa Paulista.

Depois de ‘bater na trave’ duas vezes, você chegou ao título. Como foi?

Justamente. Eu retornei em 2016, para ser o técnico novamente na Copa Paulista, onde nós conseguimos aquele excelente título, que deu a condição para o XV novamente de voltar ao cenário do futebol brasileiro, que foi em 2017.

E agora é a quinta vez como técnico; como é isso na sua cabeça?

Fui treinador em 2013, 2014 e 2016. Depois em 2018. Foi nesse ano que eu substitui o técnico Fhael Junior. O XV também estava passando por uma situação difícil, fora da zona de classificação, e nós conseguimos reverter a situação e classificar o XV para a fase seguinte. Com a minha chegada agora, realmente será a quinta passagem.

Para esse ano, a diretoria já falou que pretende investir bastante na base por falta de recursos. Como vai ser isso? Você acredita que dá para fazer um grande trabalho e até, por que não, sonhar com o título?

A ideia é essa (uma boa campanha). Até por que eu tenho certeza de que meu nome foi escolhido por conta dos trabalhos anteriores que eu fiz e justamente por conseguir potencializar os atletas da base. Então, a ideia é novamente fazer um trabalho em que a gente possa utilizar não somente os atletas da base, mas também os atletas da casa, porque existem atletas aqui que estavam no elenco da Série A2 e não tiveram muita oportunidade. Que já foram da base e estavam incorporados ao profissional. Então, a meta é olhar um pouco mais com carinho para os atletas da casa para que eles possam mostrar serviço e possam dar sequência em suas carreiras, ajudando o XV na Copa Paulista.

O grupo hoje tem quantos atletas? E ainda tem o Sub-20, que participa do Paulista da categoria. Como será administrado tudo isso para não prejudicar também as competições da base?

Na realidade, a gente ainda não sabe o número (de atletas) porque a gente só vai fazer a apresentação nesta segunda, dia 16. Aí, nós vamos saber quais os atletas que já foram contratados. Como a gente ainda está em negociação com alguns atletas, nós ainda não temos o número exato. Porque podem andar algumas contratações neste final de semana, então a gente ainda não tem o número exato. Mas provavelmente, na apresentação, deveremos ter uns 15, 16 atletas, contando com os atletas da base, que nós vamos subir para incorporar o time profissional agora no segundo semestre.

E você quer trabalhar com quantos atletas na Copa Paulista?

A nossa ideia é trabalhar com um grupo de 27, 28 atletas no máximo, contando com três, quatro goleiros. Então, seria mais ou menos esse número.

Você vai promover jogadores da base, entre aqueles que se destacarem. Como você vai administrar com o Paulista Sub-20. Eles vão e voltam para o profissional? Como vai ser feito isso?

A ideia é a gente interferir o mínimo para não atrapalhar a categoria de base. Em outros anos, também foi dessa forma, a gente sempre consegue conciliar. E, dentro disso, a gente vai tentar ajustar o jogos, enfim, para que a gente tenha essa possibilidade de usar esses meninos nas duas competições. Sempre que for possível, logicamente, esses meninos estarão no profissional. Mas a gente entende que é salutar também eles descerem para jogar o campeonato Sub-20, até mesmo por que o Sub-20 também é XV de Piracicaba. Também representa a instituição, a cidade, a comunidade, enfim, tem que também privilegiar as categorias de base e nada mais justo ser feito dessa forma. Logicamente, que se quando as situações não tiver como administrar, aí temos de dar prioridade para o profissional.

E é justamente esse o caminho, não é Cléber? Hoje em dia, mais do que nunca, os clubes do interior têm de revelar atletas para vender e têm de colocá-los para jogar uma competição como essa, não?

O XV precisa fazer isso para ter uma saúde financeira à frente. Se o XV quiser andar com as próprias pernas, o XV tem de investir na base, queira ou não, ela consegue dar uma sustentação para o clube, podendo formar atletas para depois negociá-los. A base é o ativo o clube. É da onde o clube vai tirar receita para conseguir futuramente se sustentar. E o XV vem, em um curto espaço de tempo, se destacando nessa área. Foi negociado anteriormente o Jhonatan Cafu, foi negociado o Matheus Pasinato e o Erison (atualmente no Botafogo) recentemente. São atletas que despontaram aqui no XV e que geraram lucros para o clube e a gente quer que isso volte a acontecer. A gente sabe que isso não é um processo imediato, que acontece da noite para o dia. É um processo que demanda um certo tempo, de médio a longo prazo, mas a gente tem de começar em algum momento. E o momento é esse.

E o que a gente vê é que o XV tem uma safra boa atualmente nas categorias de base. Foi bem na Copa SP, é semifinalista no Paulista Cup…

Exatamente. É o que a gente vê também. Logicamente, a gente não pode queimar etapa; queimar algum atleta. Porque na verdade, a gente tem vários atletas aqui do Sub-20, que não têm 20 anos. A maioria tem 18 anos. É o primeiro ano de juniores, então eles são mais novos ainda com relação à categoria Sub-20. E nesse sentido, a gente sabe que quando o menino vai jogar no profissional, muitas vezes sente a pressão. O fator psicológico interfere, o fator físico… Porque a desvantagem é muito grande. Então, tudo isso a gente põe na balança e sabe que tem de se trabalhar esse tipo de situação para que o menino tenha condição de performar. Por isso que a gente fala que, muitas vezes, esse resultado não é imediato. Começa com o menino tendo uma vivência no profissional, podendo entrar no jogo para ir maturando aos poucos para que daqui a um ano, dois anos, quem sabe, poder gerar os frutos para o XV, que é aquilo que a gente pensa.

E para terminar, Cléber, o XV agora aprovou seu novo Estatuto, que permitirá ser SAF para trazer investidores para o clube. Gostaríamos de sua opinião sobre isso…

Eu acredito que é um caminho sem volta para a maioria dos clubes. Os grandes já estão fazendo assim e os médios e pequenos, para se manterem, também têm de seguir o mesmo caminho. Porque, o futebol, queira ou não, é caro. E demanda muito investimento. E muitas vezes, a torcida ajuda, a comunidade ajuda, mas mesmo assim o clube não consegue suprir todas as suas pendências financeiras. Então, a gente torce para que isso seja tratado com muito cuidado e que, porventura, os empresários que forem investir no clube, que possam fazer com consciência. E que possa ser um trabalho profissional, um trabalho seguro e que traga frutos principalmente para que o torcedor fique feliz e que possa ver um time sempre competitivo dentro de campo.

Erivan Monteiro
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