A proximidade das eleições, o início da propaganda eleitoral e a movimentação de candidatos e militantes partidários motivam reflexões quanto ao cenário, ao mesmo tempo que inspiram algumas considerações sobre a política atual.

Sem entrarmos em nenhuma discussão de natureza partidária ou ideológica, que fogem aos nossos conhecimentos e propósitos, podemos observar a situação política atual como reflexo de parcelas significativas da sociedade, as quais se caracterizam pela polarização, pelos conflitos e pela intolerância, outras que agem de modo interesseiro e oportunista, ou ainda as que revelam descrença e indiferença aos rumos que a política tem tomado.

Sob uma perspectiva espiritualista e evolucionista, baseada em diversas instruções e revelações, sabe-se que estamos no final de um ciclo civilizatório, caracterizado pela disseminação de conflitos, pela corrupção generalizada, pela violência e pela degradação de valores. Apesar do caos aparente, sabe-se igualmente que tudo obedece a leis soberanas, as quais transformam os males aparentes e passageiros em experiências, conquistas e crescimento espiritual. Sob esse olhar, a época atual, difícil e desafiadora, prenuncia tempos melhores, de regeneração, renascimento e reconstrução, inclusive nas instituições e governos.

Feitas essas ressalvas, reconhecemo-nos pertencentes a um sistema que, embora fragmentado, imperfeito e corrompido, necessita – enquanto subsistir – de alguma colaboração nossa a fim de que algo de bom e positivo continue a ser feito, mesmo com as limitações evidentes e sem ingênuas nem fantasiosas expectativas.

Com relação às eleições que se aproximam, tornam-se evidentes, mais uma vez, as incongruências intrínsecas ao modelo e sistema vigentes – reflexos da sociedade que os produziu. Os candidatos, muitos dos quais despreparados – principalmente do ponto de vista da ética –, precisam fazer propaganda de si próprios, exaltando suas supostas virtudes e prometendo feitos que na sua maioria são irrealizáveis, ao mesmo tempo que depreciam seus opositores, num jogo que se mostra tão caricato quanto perverso.

Ninguém, ao assumir um cargo eletivo, se torna subitamente possuidor de integridade e de espírito público que até então não tinha. Caberia, portanto, perguntar aos postulantes aos cargos eletivos: o que o candidato já fez de relevante em benefício da comunidade em que vive? Que serviços de interesse público já prestou? Quais ações ou trabalhos o credenciam a ocupar o cargo a que aspira? Qual o caráter e o espírito cidadão que demonstra pela sua história de vida? O que tem feito, antes de se tornar político, pela melhoria da qualidade de vida das pessoas com quem convive e trabalha?

Pode-se igualmente ponderar que os eleitos representam, ou seja, refletem a parcela da sociedade que os elegeu. Uma sociedade composta de seres honestos, íntegros, sábios e bondosos jamais escolheria representantes que não possuíssem as mesmas qualidades. Parece evidente que enquanto uma significativa parcela da humanidade não atingir um nível de consciência mais elevado, qualquer que seja o regime, sistema, ideologia ou partido dominante, esse será inevitavelmente permeado dos defeitos, desvirtuamentos, imperfeições e vícios dos seres humanos que o compõem. Isso nos remete à necessidade inalienável e inadiável de uma educação integral como ferramenta imprescindível à formação de seres humanos – portanto cidadãos – melhores.

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