A Região Metropolitana que queremos

Por Gilmar Rotta

Próximos das comemorações por um ano de demarcação da Região Metropolitana de Piracicaba, que levou nossa cidade a condição de metrópole do agrupamento, podemos refletir sobre suas vantagens competitivas, pontos de melhoria e potencialidades, sempre pelo aspecto do verdadeiro propósito da nova organização regional: a busca de sinergias em prol do desenvolvimento.
Gosto de enfatizar desenvolvimento como valor maior porque ele é mais importante e nobre que o mero crescimento econômico.
Do ponto de vista da economia, crescer é o simples ato de exibir um PIB (Produto Interno Bruto), ou soma das riquezas produzidas, maior que o do período anterior, depois de descontada a inflação. Já o desenvolvimento também se preocupa com o crescimento econômico, porém muito mais com o sustento no tempo de uma trajetória altista, bem como uma infinidade de fatores por trás da frieza do número.
Para desenvolver, além de mostrar o crescimento numérico é preciso entender de que forma o benefício do movimento chega a cada pessoa na sociedade. Isso nos leva essencialmente ao zêlo pelos mais variados aspectos sociais, educacionais, de saúde, que sejam capazes de mudar trajetórias e propiciar oportunidades de progresso a população, cada vez menos dependente do Poder Público.
Convicto da opção desenvolvimentista, podemos nos orgulhar do fato de que nossa gente construiu na RMP uma valorosa agricultura, que contribui proporcionalmente mais que em outras regiões no total da economia. Vale lembrar do arrojo que isso representa, já que nenhuma atividade produtiva precisa enfrentar tantos riscos como a agrícola.
No “novo normal” do mundo pós pandemia precisamos entender que foi o campo, exatamente o setor onde nos destacamos, que garantiu algum fôlego econômico para evitar uma catástrofe maior. Nele também está a grande demonstração dos ganhos de produtividade no trabalho, que entra como “tema da vez” nas discussões sobre os vetores para desenvolvimento do Brasil.
Todo esse potencial agrícola ainda pode ser exemplo para o mundo na busca por soluções da nova economia de baixo carbono, pela qual me entusiasmo e não me canso de demostrar tudo o que podemos compartilhar. Estamos prontos!
Não bastasse, também nos inserimos na vanguarda da economia da inovação, desenvolvemos indústrias pesadas, tanto de base quanto de alta tecnologia, tornamo-nos referência em serviços, e ainda galgamos escala às nossas atividades comerciais.
Claro que pelo raciocínio metropolitano há muito ainda o que podemos aprimorar. Cito aqui minha busca pela integração regional, visando compensar nossas longas distâncias intermunicipais tão características, através de redução de impactos financeiros dos pedágios de rodovias, e da implantação do transporte metropolitano subsidiado. São grandes oportunidades para desenvolver consumo de massa na região toda, com todos os seus benefícios consequentes.
Listar tantas vantagens, potencialidades e alternativas não nos dá o direito de subestimar carências já crônicas de nossa população. É fato que, a exemplo do cenário nacional, aqui também há um gargalo na distribuição de oportunidades e riquezas, que requer conhecimento técnico, capacidade de diálogo, mas, acima de tudo, obstinação por melhorias.
Por onde começar? Pela prática do olhar aguçado para PESSOAS.

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