A sexualidade e o educador (parte I)

Sempre mostrei e defendi, a importância e a necessidade de se implantar uma Educação Sexual continuada nas instituições de ensino públicas e privadas. Abrir um espaço para discussão e acolhimento de ideias, angústias, dúvidas dos jovens a respeito da sexualidade humana. Poder fazer uma orientação à luz de conceitos cientificamente corretos. Um lugar onde, um profissional devidamente qualificado cientificamene, possa ouvir e passar conceitos além da genitalidade. Isso não significa que esse profissional vá impor seus valores pessoais ao grupo. Nem deve fazer isso. Valores morais e/ou religiosos é a família quem transmite.
Por isso a reflexão de hoje: A sexualidade e o educador, vista pelo psicanalista Gletson Aguiar Martins. Acompanhem esta reflexão:

“Quem se desafia a conhecer-se sem passar pelo outro? Mesmo passando pelo outro, ainda os nossos conflitos conscientes e inconscientes reservam uma pequena parcela de resistências na compreensão de determinadas situações que surgem inusitadas no quotidiano. E dentro dessa parcela de resistências, destacamos a desinformação a respeito da sexualidade, seus princípios e elemento motor da vida.

Muitas vezes a sexualidade é entendida somente por uma visão mecânica dos órgãos sexuais, funcionamento e prevenção contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST).

Mas, a visão de sexualidade não designa apenas as atividades e o prazer que dependem do funcionamento do aparelho genital, mas toda uma série de excitações e de atividades presentes desde a infância, que proporcionam um prazer irredutível à satisfação de uma necessidade fisiológica fundamenta.

A má compreensão desses aspectos da sexualidade transformam, na maioria das vezes, os educadores em figuras moralistas e repressoras. Serão incapazes de reconhecer certos comportamentos de seus alunos, os porquês de uma raiva excessiva quando determinado aluno fugiu à ‘regra moral e bem aceita pela sociedade’.

A Psicologia destaca grande importância à sexualidade no desenvolvimento psíquico do ser humano. Freud salientou que o sexual não é redutível ao genital. É partindo de uma sexualidade infantil que se abrem os horizontes para o sexual. Quando se fala em sexualidade infantil, estamos encarando-a como portadora de excitações e necessidades genitais precoces, bem próxima das perversões adultas a partir do momento em que entram em cena as zonas corporais.

Certa vez uma colega me disse que não aceitava uma aluna que passava a aula inteira falando sobre sexo. Aquilo a irritava de tal forma que a mesma chegou a expulsar a aluna da sala. A educadora replicava sempre: ‘estudar, ela não quer, mas falar disso, ela sabe…’.

Como desejamos que nossos alunos fiquem como queremos! A colega retornou agressiva: ‘sou educadora e não psicóloga e não tenho obrigação de ficar entendendo ninguém…’ Essa posição obtusa e incipiente reflete a incapacidade de reconhecer as relações transferenciais inerentes à prática de qualquer atividade envolvida com pessoas. Pensar dessa maneira é achar que a educação se consubstancia pela mera passagem de conteúdos, negando todas as possibilidades da relação humana para superar obstáculos.

Trabalhar com crianças e jovens envolve um conhecimento evolutivo, as características físicas e emocionais resultantes das transformações ocorridas. Não basta apenas o entendimento de tais transformações, mas perceber as resultantes dessa evolução no dia-a-dia”. (continua…)

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