A tragédia de Jair Bolsonaro

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O início do terceiro ano do governo Jair Bolsonaro confirma várias suspeitas sobre sua (falta de) capacidade de governar. Lamentavelmente, isso ocorre em meio a uma pandemia que já ceifou a vida de quase 250 mil cidadãs e cidadãos brasileiros.
Bolsonaro foi eleito em 2018 pela atuação direta de um consórcio nefasto, composto por lideranças políticas que não conseguiam vencer o PT nas urnas, atores do sistema de Justiça que desprezavam garantias constitucionais e manipulavam delações premiadas, falsos liberais e grupos da sociedade comprometidos com uma agenda de ódio e de retrocessos em direitos humanos e sociais.

Desse arranjo, emergiu um governo cuja coerência se liga às piores escolhas e decisões políticas. Áreas nevrálgicas como Educação, Saúde, Cultura, Meio Ambiente, Direitos Humanos e Relações Exteriores foram entregues a personagens sombrios, ligados a uma agenda ideológica que se empenha em entregar ao Brasil um cenário de terra arrasada.

É certo que governos eleitos têm o direito de definir suas prioridades e posicionamentos, à esquerda e à direita. Bolsonaro, todavia, inova ao definir como diretriz o compromisso com a incompetência. Desde o início da pandemia da COVID-19, sabotou ações que visavam incrementar o isolamento social e o uso de máscaras. Pesquisa da UFRJ, aliás, apontou que a cada discurso presidencial relativizando os riscos do SARS-COV2 houve uma oscilação para baixo nos indicadores da quarentena.

Durante a pandemia, também, o Brasil assistiu a duas trocas sucessivas de ministro da Saúde. Bolsonaro não descansou até encontrar alguém que repetisse sua defesa criminosa de tratamentos e fármacos sem eficácia comprovada, enquanto pregava contra a vacinação da população.

Já em 2021, aliás, enquanto Manaus pedia urgência na remessa de oxigênio, Bolsonaro enviava carregamentos de cloroquina ao Amazonas – adquiridas, inclusive, depois que se comprovou a ineficácia deste medicamento para o enfrentamento da COVID-19. Exposta a contradição, Bolsonaro fez o que sempre faz: adotou estratégia diversionista, tirando do baú a proposta de armar o povo brasileiro.

Há muitas lições que a eleição de Bolsonaro traz. Infelizmente, contudo, seu aprendizado não será como aquele obtido em sala de aula, mediante um processo dialógico e criativo. Será por meio da dor, do sofrimento e da morte de centenas de milhares de brasileiros. Que o país saiba se reconciliar depois dessa tragédia e aprenda que não há atalhos no caminho para a edificação de uma pátria justa, inclusiva e próspera.

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