Abandonado aos 2 anos, Lucas quer encontrar família biológica

Ele soube aos 8 anos de idade por sua família adotiva que foi abandonado pela mãe, moradora de rua (Foto: Alessandro Maschio/JP)

Em 1.992, a polícia encontrou um bebê de quase dois de idade em uma caixa de papelão, abandonado na praça José Bonifácio, no Centro de Piracicaba. Após o registro da ocorrência, o garotinho foi levado a um orfanato que, na época, funcionava na Pauliceia. Cerca de um ano e meio depois, a criança foi adotada pelo casal Marilene Scarabeline e Paulo Marçal Filho e recebeu o nome de Lucas Scarabeline.

Os anos se passaram e, aos 8 anos de idade, Lucas ouviu do pai adotivo a história sobre sua vida. A mãe biológica, Marilena Feitosa de Lima, era moradora de rua. Um dia, quando estava grávida, deixou o filho de um ano de idade aos cuidados de um grupo de moradores de rua para nadar no rio com um homem. “Acho que ela esqueceu de mim e não voltou, aí a polícia me encontrou na caixa e me levou para o orfanato”, contou Lucas, hoje com 28 anos, casado e pai de um bebê de quatro meses.

Logo após contar a história para o filho adotivo, Marçal se mudou com a família para São Pedro. Segundo Lucas, a ideia era tirar a criança da cidade onde foi abandonada. Lucas só soube anos depois que o pai investigou por conta própria e chegou a conhecer a sua mãe biológica. “Ele me contou que conversou com ela na praça”, lembrou.

Lucas soube que tinha três irmãos biológicos e uma avó em São Paulo, Capital. A avó materna chegou a tentar obter a guarda dele, quando foi levado ao orfanato. “Ela já cuidava de dois irmãos meus e, por isso, não conseguiu ficar comigo também”. A avó trouxe o registro de nascimento dele, que tinha o nome de Eucleto Feitosa de Lima.

Lucas contou que, após esse contato, nunca mais a família adotiva teve notícias da avó e dos irmãos. “Sei que tenho uma irmã que se chama Tatiane, só isso”, falou. Hoje, o autônomo diz não guardar mágoas ou traumas do passado. Ele atribui a superação à criação, educação e carinho que recebeu dos pais adotivos. O pai faleceu em 2012, Lucas tem três irmãos e uma irmã adotiva e quer, agora, notícias de sua família biológica. “Eu quero saber da minha mãe, o porquê de eu ter sido abandonado, quero encontrar meus irmãos”, afirmou admitindo que há possibilidade de sua mãe biológica não estar mais viva.

Com o apoio da mãe adotiva – que por coincidência tem o mesmo nome da mãe biológica – e da esposa Mirela, ele quer passar a história de sua vida a limpo.

Ele contou que, em 2012, leu uma matéria na internet sobre moradores de rua na praça José Bonifácio e viu que a sua mãe biológica falou com o repórter Niva Miguel. “Vi que ela estava viva e continuava morando na rua, por isso decidi tentar encontrá- -la”, contou.

Beto Silva
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