Acerca das religiões

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As religiões podem ser consideradas – dentre muitos olhares possíveis – como diferentes formas de apresentar, acessíveis ao ser humano, revelações espirituais, verdades transcendentes e orientações morais. Parcelas ou aspectos da verdade têm sido periodicamente reveladas à humanidade, em diversas épocas, povos e culturas, o que acaba por constituir as mais diversas religiões, à medida que tais revelações são comentadas, explicadas e sistematizadas, ao mesmo tempo que suas práticas são institucionalizadas. Se tal processo – realizado por seres humanos imperfeitos e falíveis, por mais inspirados que sejam – pode empobrecer ou desvirtuar os ensinamentos originais, torna-os, de certo modo, acessíveis, compreensíveis e praticáveis a maior número de fiéis.

Ao se observar os caminhos que os movimentos religiosos têm tomado ao longo da história, percebe-se que, ao lado dos inestimáveis serviços prestados à humanidade, muitos deles se afastaram da pureza original daqueles que inspiraram sua fundação e deixaram de cumprir a sagrada missão de conduzir seus seguidores ao despertar da consciência espiritual e a uma vida mais livre e feliz. Qualquer religião ou filosofia espiritualista, pela sua natureza, fundamentos e finalidade, jamais deveria ter, como consequência de sua prática, alienar as pessoas nem afastá-las do enfrentamento dos desafios diários, tampouco fragilizá-las, tornando-as dependentes de seus líderes, guias ou pregadores. Deveriam, como uma de suas funções essenciais, facilitar a (re)ligação da criatura com o Criador, a comunhão do ser com a Fonte da vida, ao fornecer instruções e ferramentas que facilitem a descoberta e a vivência dos valores espirituais, tanto quanto sua aplicação ao cotidiano. Também deveriam facilitar aos seguidores a compreensão de leis regentes da vida e do destino, essenciais a uma existência equilibrada e saudável.

Dada a multiplicidade de locais e épocas em que surgiram as religiões e a sempre limitada codição humana, nenhuma delas jamais poderia conter a revelação divina exclusiva, completa ou perfeita. Esse entendimento parece essencial para que se compreenda não somente a relatividade do que ensinam as religiões, como a validade e a importância de cada uma delas, merecedoras, portanto, de respeito e consideração.

Sempre surgiram, e continuarão a surgir, revelações de caráter espiritual, ao lado de diferentes interpretações das já existentes, bem como releituras e atualizações dos ensinamentos tradicionais. Pretender que uma única revelação seja a exclusiva porta-voz da verdade divina e que seus seguidores sejam os únicos legítimos, além de descabida presunção e arrogância (o que, aliás, fere os princípios de todas as religiões), seria igualmente desconsiderar a riqueza, sabedoria e fecundidade dos ensinos religiosos de todos os povos, culturas e épocas.

Se o sentido da palavra religião é religar a criatura ao Criador, qualquer recurso, ensinamento ou prática que favoreça a consecução de tal objetivo estará cumprindo seu papel, quer seja usado por religiões convencionais ou fora delas, realizado dentro de um templo de pedra ou no santuário da própria alma.

Sob essa perspectiva, quem se encontra em paz com a própria consciência e sereno em relação a sua fé expressa esse estado interior por um convívio pacífico e respeitoso com todos os demais seres, os quais considera seus irmãos, independentemente dos rótulos, títulos ou condições com as quais se apresentem.

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