Acumulação Compulsiva: Transtorno de quem vive cercado por objetos inúteis

Foto: Claudinho Coradini/JP

Quando guardar coisas se torna um problema de saúde?

O catador de recicláveis Paulo Sérgio Garcia, de 54 anos, acumulou durante 30 anos dentro de sua casa, no número 26 da rua Elis Regina, bairro Jardim Alvorada, em Piracicaba, objetos descartáveis e considerados inúteis pela população. Ele morava sozinho em sua casa, onde foi encontrado morto nesta quarta-feira (20), dentro do banheiro, de difícil acesso à Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar, pela falta de espaço para transitar em todo o interior do imóvel, em razão dos acúmulos. O JP acompanhou o caso.

Garcia havia se mudado com a família para a residência, cerca de 25 anos atrás. Com o tempo, suas três irmãs se casaram, mudaram de endereço e ele permaneceu no local com a mãe, que também era coletora de materiais recicláveis. Os dois viviam com a renda do volume que vendiam. A mãe de Paulo Sérgio morreu há cerca de uma década. Depois disso, relatam os vizinhos, o catador começou a acumular mais do que vender os recicláveis.

Para a psicóloga clínica Munique Brandão, a acumulação compulsiva “é muito fácil de ser confundida com a atividade profissional de um catador de recicláveis, por se precisar ter um local para fazer o depósito e organização desses materiais. Mas a diferença, é que um acumulador não se desfaz de nada, de nenhum objeto. A pessoa que trabalha com reciclagem, necessariamente precisa se desfazer para produzir e gerar seu sustento, não há um apego ou angústia em vender”.

Sinais clínicos que devem ser avaliados também segundo os psicólogos Francisco Ometto e Ana Carolina Pascoalete, é que um acumulador compulsivo busca a solidão, como no caso de Paulo.

“Se sentem envergonhados em receber pessoas em sua casa, ao ponto de não convidarem. Utilizam como justificativa a bagunça e se afastam da família para evitar conflitos, o que pode ocasionar em depressão e ansiedade generalizada”, explica Ana.

Os psicólogos reforçam que um acumulador compulsivo se esforça para esconder o problema “tanto que ele tentou colocar tudo que ele tinha, dentro da casa”, avaliam. “Há também dificuldade em organizar os objetos em categorias, totalmente diferente de um reciclador profissional ou até mesmo de um colecionador”, complementa Monique.

Uma das principais dificuldades para o tratamento de acordo com Ometto é que, normalmente, os acumuladores compulsivos não procuram ou aceitam ajuda por não considerarem a situação como doença. “Pessoas próximas têm um papel fundamental nesta conscientização e no incentivo à busca da cura, o que deve começar o quanto antes possível”, argumenta.

Laís Seguin
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