Adiados pelo Covid-19, eventos são remarcados a partir de julho

Evitar aglomerações está entre as prioridades à pandemia (Foto: Divulgação)

Piracicaba, assim como todo o Estado de São Paulo, optou por colocar a população em quarentena já em meados de março e, devido à proibição de atividades que eventualmente possam formar aglomerações, foram temporariamente suspensos na cidade. De shows a casamentos e formaturas, além de baile de debutantes, feiras de negócios e encontros empresariais, a noite piracicabana desacelerou e deixou à deriva não só os produtores, mas uma cadeia enorme de empregos diretos e indiretos gerados pelo setor.

Rene Cali, proprietário da renomada empresa piracicabana de eventos Maison Vivenda, é um dos afetados pela onda de adiamentos por causa da disseminação da Covid-19 (novo coronavírus). “Realizamos os três últimos eventos em março. Esperamos que tudo volte ao normal o quanto antes pare reagendar a partir de julho e agosto”.

De acordo com o promotor, estes meses são ideais para eventos a céu aberto, um período com pouca incidência de chuva. “É recomendável que, por causa da pandemia da doença, mais eventos aconteçam a céu aberto. Neste momento, o ar-condicionado pode ser um empecilho, porque pode reter um eventual vírus no ambiente”

Segundo Cali, a agenda de eventos da empresa estava recheada para os próximos meses em Piracicaba. “Eram casamentos, festa de debutantes, eventos corporativos e feiras”. O promotor explica que, em alguns casos, ainda é difícil falar em uma nova data, enquanto as incertezas da Covid-19 ainda pauta o dia a dia da população.

Cali ressalta que esta situação única do mundo requerer “paciência e solidariedade” ao setor de eventos. “Todos precisamos entender a situação e ser solidário ao próximo, ninguém queria que estes acontecimentos fossem adiados. E a solidariedade é mesmo geral, de todos envolvidos, inclusive fornecedores e parceiros comerciais que estão indiretamente envolvidos na sua realização”, desta o promotor. Ele também menciona que, enquanto o setor está parado, são muitas pessoas desempregadas. “Tem evento, como uma formatura, que chega a ter cerca de 250 a 350 pessoas trabalhando”.

Apesar de relegado a segundo plano no contexto da pandemia, em que saúde, educação e emprego são temas mais em evidência na mídia e nos planos de emergência de governos, o setor cultural, assim como o do turismo, foram os primeiros afetados, ainda sem um plano de contensão da crise ou expectativa de retorno ao trabalho, não ao menos o vírus não for uma grande ameaça. “E entendemos que se deve, sim, evitar aglomerações. Nesto momento, o que se sobressai é o sentimento e a evidência de como o convívio social, seja em grandes festas ou pequenas confraternizações, são uma necessidade biológica. As pessoas sentem falta”, completa Cali em defesa do setor.

O produtor Matheus de Moraes, da piracicabana Funderground Brasil, teve um grande evento cancelado no último mês de março por causa da pandemia da Covid-19. Ele produzia na cidade o inédito show da banda norte-americana Sick of it All, considerada por público e crítica especializada com um dos pilares do hardcore mundial, tamanha a importância do grupo. Foi, como ele mencionou “um banho de água fria”. “Pegou todos de surpresa, em um momento crescente da cena alternativa. Nós estávamos bem empolgados com 2020, bastante eventos acontecendo e diversos outros para acontecer”, afirma.

O show, destaca Moraes, foi adiado, mas sem uma data oficial para acontecer. “Nosso contrato com a banda continua e aguardamos ansiosamente por uma nova data, mas desde a notícia de adiamento, demos a liberdade para o público decidir em devolver ou não o ingresso, é um direito, mas claro, quem tem condições de segurá-lo e aguardar a nova data, contribui para um menor prejuízo de milhares de pessoas que trabalham na área”.

Erick Tedesco

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