Afasta de mim este Cálice, Pai!

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Os tempos são outros, mas a dor, a submissão, o medo, idênticos. O vinho, tinto de sangue. Cale-se!

Abril se abre para o ano, guardando em seus dias a marca pesada de abril passado que parece repetir-se. Houve até mesmo quem desejasse festejar a data sem observar que “de gorda, a porca já não anda e muito usada a faca já não corta”. Hoje, mergulhados na pandemia, não é tempo de esquecimento, menos ainda de comemorações.

Não perder-se jamais daqueles dias que, bem nascidos, se deixavam obscurecer pela censura, pela falta de liberdade, por sonhos interrompidos, exílios. Quem, antes mesmo do sol, os faziam, acinzentados e tristes?

O canto do galo perdia sentido, porque não havia resposta de outros galos para prosseguiro desenho da nova manhã, encorpada como deve ser. Havia, isto sim, em meio ao silêncio pesado quem destruísse jardins e construísse muros onde se escondiam dores, mortes, medo.

Afastemo-nos disso como Cristo tentou afastar-se do cálice. Livres que nascemos, que somos e queremos continuar sendo, lutar,mesmo que seja mais fácil ceder.

Portanto, vacina já! vacina sim! vacina contra este mal invisível que ataca, maltrata e mata, com rapidez e fúria, mudando características a cada dia, tentando burlar quem deseja seu fim. Vá, sina!malfadada sina.

Que destino o de  contar mortos, sem imaginar tantos. Muitos! Espantando o mundo na tragédia que nos cobre a todos.

Hoje, as estatísticas seriam ainda mais desoladoras, não fossem os médicos, heróis do novo tempo, e seus diferentes auxiliares, profissionais da saúde, não com iguais atribuições, mas não menos importância, responsáveis pelo atendimento imediato a cada chamada, pela higienização dos ambientes hospitalares, pelo transporte de doentes, pela limpeza das ruas, excepcionais todos, muitos transformados, por isso, em vítimas fatais.

Ontem, as igrejas e seus pastores, inesquecíveis: Paulo Evaristo Arns, Henry Sobel, Jaime Wrigh, nascidos do Deus verdadeiro.

Há quem não entenda assim nem isto nem aquilo, quem propale outra notícia, não tão clara nem tão verdadeira. Há quem assista com serenidade e até mesmo um certo deboche a estas e àquelas cenas de horror, sem qualquer manifestação de humanidade e justiça. Não obstante, estes heróis de agora e aqueles, a duras penas, não querem outra coisa senão minimizar sofrimentos.

Muitos não pouparam avisos. Foram espezinhados, constrangidos publicamente por  não desejarem outra coisa senão garantir o direito à vida, com dignidade e respeito.

Quando menino, este dia me obrigava a brincar com os da minha idade – e até mesmo com mais velhos – em razão do que representa no calendário. Moleque, me diverti com isto e quanto se divertiram à minha custa.

Coincidência rara, neste ano, as mesmas datas, com diferentes comemorações, sobretudo revelar o Ser Homem ao próprio homem.

Fazer, então, do isolamento e do silêncio contido para orar, como Cristo orou, no horto das Oliveiras; valer-se do tormento para imitar o Calvário, nesta décima segunda estação de preocupação e angústia para, em Deus, esperançar ainda mais.

Por certovocê lê, o que anteontem escrevi, hoje, domingo da Ressurreição e da Esperança. A cruz que pesa em nós não é diferente. O entendimento é outro. Ele cumpria determinação do Pai. Nós pagamos pela equivocada conduta de alguns.  Ninguém parece entender o sentido daquele ato de amor. Em Cristo, a Ressurreição. Agora, a mudança de vida, de compromisso com o outro, de solidariedade, de respeito. 

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