Agosto registra pior índice de vazão do rio dos últimos 5 anos

Frente fria deve chegar dia 20, e com ela mais chuvas, mas com pouco volume (Foto: Amanda Vieira/JP)

As chuvas do último domingo (17) e ontem, mesmo que raras para um mês seco como agosto, não foram suficientes para aumentar a vazão do rio Piracicaba. De acordo com a medição do Consórcio PCJ (Bacias dos rios Piracicaba-Capivari-Jundiaí), até às 17h30 de segunda-feira, o rio estava com vazão em 20,11 metros cúbicos por segundo, menos da metade da série histórica – 52,76 m³/s. A Defesa Civil informou que não houve nenhum ponto da cidade em alerta e nenhum chamado de alagamentos.

O índice de agosto de 2020, caso seja a média da vazão do rio Piracicaba até o fim do mês, será o pior dos últimos cinco anos. Conforme os números da Defesa Civil, a vazão média do ano passado foi de 25,66 m³/s, ante 39,22 m³/s em 2018, 44,09 m³/s em 2017 e 55, 34 m³/s em 2016.

O coordenador de projetos do Consórcio PCJ, José Cézar Saad, afirma que a vazão atual do rio é ‘padrão’ e não é crítica, sem poder fazer comparações com a série histórica, que é um acúmulo de 30 anos. “Hoje a realidade é outra, a estiagem é grande e as chuvas são rápidas”.

A queda de chuvas em agosto, ele ressalta é um fator ‘natural’. “É a natureza mudando o jeito de ser, isto é, mudanças climáticas que, consequentemente, prejudicam o volume de água nos rios”, aponta Saad.

Além disso, as chuvas dos dois últimos dias foram irrisórias, explica Saad. “O rio aumentou cerca de 12 milímetros desde às 6h de ontem, e foi abaixando durante o dia. O que influencia, mesmo, são as chuvas de cima, que acontecem no perímetro do rio em Santa Bárbara d’Oeste, e também foi pouco: 8 milímetros”.

A previsão é de mais chuva na sexta-feira (21), segundo Ana Maria Ávila, pesquisadora do Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura). “Teremos outra frente fria a partir de quinta-feira (20) e, com ela, deve vir mais água disponível para aos rios, mas chuva rápida”. Nesta semana, a mínima será de 16º e, a máxima, de 24 a 27 a partir de quarta-feira (19).

ARMAZENAMENTO
A solução a curto médio prazo para o problema de falta de água em período de estiagem como agosto, destaca Saad, é a construção de pequenas barragens para armazenar o recurso hídrico. “Cada município deveria ter a sua, algo pequeno, para minimizar o impacto ambiental e conseguir ter uma reserva, para que não falta água em determinadas regiões. Piracicaba não tem um reservatório, diferente de cidades vizinhas como Santa Bárbara d’Oeste e Nova Odessa, que sim”, explica.

Erick Tedesco