Alto volume de chuvas não abasteceu lençóis freáticos, diz PCJ

Foto: Alessandro Maschio/JP

A vazão dos rios e chuvas de fevereiro também ficaram aquém da média

As chuvas de janeiro de 2022 na região entre Piracicaba e Jundiaí ficaram acima da média em quase 39% para o período, mas as vazões dos principais rios ficaram até 40% abaixo do esperado. O motivo para o alto volume de precipitação são as mudanças climáticas, que estão mudando o comportamento das chuvas frequentes e por um período mais longo para fenômenos fortes e rápidos. Os dados e a avaliação do contexto são do secretário executivo do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), Francisco Lahoz. Segundo o posto meteorológico da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), a quantidade de chuvas em fevereiro ficou abaixo da média para o mês: caíram 128,8 milímetros de chuva, 28% menos da média histórica calculada a partir de 1917 (atuais 179,11 milímetros). O resultado de janeiro foi noticiado pelo amplo impacto na população, como alagamentos e inundações vistas nos Estados da Bahia e Minas Gerais.

“As bacias PCJ, que incluem o Cantareira, vêm enfrentando nos últimos cinco anos diminuição na média anual de chuvas, o que reflete na recarga do lençol freático que irá abastecer os rios”, informa Francisco Lahoz. As obras estaduais e uma redução de ao menos 10% no consumo da Grande São Paulo obtida com base nas campanhas iniciadas durante a crise hídrica devem dar sustentação para o abastecimento durante a próxima estiagem, segundo o especialista em recursos hídricos do PCJ. “A interligação dos sistemas que abastecem a região metropolitana de São Paulo nos dá essa segurança para 2022, mas, é preciso pensar em produzir mais água”, avalia Lahoz.

O ideal, segundo o especialista, é que aconteçam chuvas em intervalos capazes de possibilitar a infiltração no solo e que não se transformem em escoamento superficial. No Cantareira, as chuvas no mês de janeiro ficaram 22,1% acima da média histórica. No entanto, o volume de água armazenada encerrou o mesmo período em 33,17% da capacidade. “O esperado é que os reservatórios do sistema chegassem ao fim de janeiro com 60% do volume útil para enfrentar o período de estiagem. Como isso não aconteceu, é preciso que nos próximos meses chova mais.”

BARRAGEM
O Governo do Estado vai construir uma barragem no rio Corumbataí, na região de Ipeúna, com capacidade para acumular mais de 1,7 bilhão de litros de água. O leito é a principal fonte de abastecimento de Piracicaba. O reservatório servirá aos municípios de Piracicaba, Analândia, Charqueada, Cordeirópolis, Corumbataí, Ipeúna, Itirapina, Rio Claro e Santa Gertrudes e beneficiar diretamente mais de 1,5 milhão de pessoas. Segundo o Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), o projeto básico será contratado pela Agência PCJ no primeiro semestre de 2022 e com previsão de entrega para o segundo semestre – a obra será realizada pelo próprio departamento paulista.

O custo do reservatório está estimado em R$ 54,3 milhões, projeto integrante do programa Água é Vida, lançado pelo Governo do Estado em outubro. A finalidade é a de reforçar a segurança hídrica nas cidades que não são atendidas pela Sabesp e cuja competência pelo serviço de abastecimento é municipal.

Cristiane Bonin
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