Local não cumpre norma da Vigilância; obra não foi prioridade para FOP, diz Unicamp (Foto: Amanda Vieira/JP)

Com as obras de ampliação paradas desde 2017, alunos da FOP (Faculdade de Odontologia de Piracicaba) da Unicamp reclamam da precariedade da estrutura da clínica odontológica, utilizada para atividades práticas da graduação e atendimentos à comunidade.

O Jornal de Piracicaba recebeu denúncia de um grupo de alunos, que pediu anonimato, com dados da ata da reunião ordinária da congregação da faculdade em 12 de fevereiro. Os alunos informam que tentaram resolução do caso pelos meios convencionais, “entretanto nosso apelo não é correspondido pelas autoridades”.

Eles explicam que, pela reforma não ter sido concluída, a estrutura da clínica não atende resolução de 2002 da Vigilância Sanitária – referente ao tamanho do local de atendimento. Carta do diretor da FOP, professor doutor Francisco Haiter Neto, à coordenadora geral da universidade, professora doutora Teresa Dib Zambon Atvars, que consta na ata da reunião ordinária de 12 de fevereiro, diz que as estruturas da clínica funcionam desde 1978 e desde lá não receberam reforma na estrutura ou troca das cadeiras odontológicas.

“Destaca-se que as condições de infraestrutura física impossibilitam o cumprimento das normas básicas da Anvisa, acessibilidade, ergonomia e segurança do trabalho. Por exemplo, as clínicas possuem espaço físico de 3,25 m² por equipamento odontológico e corredor entre os equipamentos com 0,4m de largura, sendo que as medidas recomendadas pela legislação pertinente (Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002), são 7 m² e 2m, respectivamente”, diz o diretor na carta.

Os alunos também afirmam que não há número suficiente de “boxes” para todos os estudantes, visto que a faculdade passou a comportar mais alunos quando o curso passou de quatro para cinco anos de duração. “Desde então, as estruturas físicas da faculdade não suportam mais o número de estudantes, prejudicando a eficiência de suas atividades”, relatam.

Outro ponto levantado pelos alunos é que, desde 2013, a FOP não recebe repasse da Caaaas (Comissão Assessora para Assuntos Assistenciais da Área de Saúde), do SUS (Sistema Único de Saúde), “devido a um impeditivo de a Clínica Odontológica da FOP-Unicamp estar em uma área diferente da localização do CNPJ da Unicamp”, diz a denúncia.

Questionada pela reportagem, a Unicamp afirmou, por meio da assessoria de imprensa que, devido ao déficit orçamentário ocorrido entre 2013 e 2017, todas as “grandes obras” foram paralisadas para buscar um equilíbrio financeiro-orçamentário.

A nota da universidade esclarece que os problemas do tamanho da clínica são conhecidos desde 2002 e que, desde então, a FOP recebeu “muitos investimentos”, mas que a faculdade, ao invés de priorizar, a reforma da clínica, realizou outras obras, como a do prédio que hoje a administração utiliza.

Quanto à finalização da obra, a Unicamp informou que “essa é uma das obras que requer grande investimento, e não há recursos para executá-la neste momento”. Já referente ao repasse da Caaaas, a universidade informou que a reitoria não interfere neste ponto, que é de responsabilidade da FOP.

Andressa Mota

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