Elia cuida da irmã com Alzheimer há dois anos ‘como bebê' (Foto: Arquivo pessoal)

A mulher sorridente que é Célia nas fotos da família, hoje aos 65, não era a mesma quando sua irmã, Elia de Freitas Costa, a levou para casa há dois anos. Pesando menos de 50 Kg e com o diabetes descontrolado, Célia tinha chegado ao estágio do Alzheimer em que não conseguia mais se localizar. No dia das eleições de 2018, foi votar e se perdeu. A partir daí, Elia não suportou mais ver a irmã sem os cuidados adequados e tomou para si essa missão.

O diabetes e a dificuldade em se localizar, assim como a perda da memória, são agentes recorrentes presentes na doença. Mas a idade de Célia, não. De acordo com o neurocirurgião da Unimed, Sylvio da Cunha Martins, a incidência de Alzheimer na população é mais comum a partir dos 65 anos. Já Célia começou a apresentar os sinais por volta dos 60, conforme lembra sua irmã.

Célia não se lembra dos irmãos, esquece-se de que está comendo e precisa de instruções para as atividades diárias, como tomar banho e deitar-se para dormir. “Tudo que precisa eu faço, como um bebê”, conta Elia.

Martins explica que o Alzheimer é uma doença degenerativa, com causa específica desconhecida, que afeta os tecidos nervosos. Esses não processam a proteína “Tau”, que se acumula no cérebro, causando os efeitos da doença.

Amanhã (21) é o Dia Mundial de Conscientização sobre o Alzheimer. Segundo Martins, o conhecimento da doença é essencial para que os cuidadores tenham paciência e ajudem garantir dignidade e qualidade de vida aos pacientes, que progressivamente têm o pensamento, a memória, a fala, a capacidade de se localizar e percepção do espaço afetados. A depressão também é um fator clínico do Alzheimer, segundo Martins.

“No final do tempo de evolução, outras funções, envolvendo a motricidade, a capacidade de se deslocar, acabam afetadas de uma maneira bem mais intensa, prejudicando a autonomia”, explica o médico.

Jurema cuidou da mãe que conviveu com a doença 9 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Por isso, os pacientes acabam perdendo a própria “identidade”, como comenta a cuidadora de idosos Jurema Arlete Baumann Tombolato, que cuidou da mãe com Alzheimer por dois anos até que ela faleceu em janeiro de 2016, aos 84 anos. A mãe de Jurema conviveu com a doença durante nove anos.

“Você tem que entrar no mundinho deles, dar conda. Jamais ficar com grosseria. Eu embalava no mundo de minha mãe. As lembranças deles vão até a infância. [Então] vamos cuidar com amor. É muito triste a situação de alguns”, comenta Jurema.


Além do tratamento clínico e medicamentoso, no decorrer da doença outros profissionais ainda são importantes, como fisioterapeuta e fonoaudiólogo, segundo Martins. “Tudo que for possível agregar para otimizar a qualidade de vida dessas pessoas e dessa família, que sofrem muito. Não apenas o paciente sofre, mas o cuidador sofre bastante se ele não tiver a assistência adequada”, explica o médico.

FATORES DE RISCO
A causa específica do Alzheimer ainda é desconhecida. Mas segundo conta Martins a ciência já observou alguns fatores de risco, como o diabetes, hipertensão não controlada, doenças circulatórias, tabagismo e o alcoolismo. Sendo assim, como em outras doenças, a prevenção passa necessariamente por levar uma vida saudável, com prática de exercício físico, foco na alimentação e cuidados com doenças crônicas. Além disso, exercitar o cérebro também é essencial, pois o médico lembra que há menor incidência de Alzheimer em pessoas mais escolarizadas, por exemplo.

Andressa Mota

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