Anemia infantil

Fique atento às mudanças de hábitos das crianças, pois podem caracterizar anemia

Ficar atento ao comportamento dos filhos é uma das formas mais eficazes de se observar possíveis alterações na saúde. O ato de brincar e a forma de dormir são um dos principais termômetros para isso. Ele está brincando normalmente ou
está mais quieto e sempre cansado? Ele está dormindo como habitualmente ou as horas de sono passaram a ser maiores e mais necessárias? Ele está reclamando de falta de ar e dizendo que o coração está acelerado? Se ele apresenta alguma das anormalidades acima é hora de ficar atento, pode ser anemia.

A anemia ocorre, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quando a concentração de hemoglobina (componente do sangue responsável pelo transporte de oxigênio para as células do corpo) no sangue está abaixo do normal. Mas o que é a anemia? Conforme relata o hematologista, hemoterapeuta e especialista em terapia intensiva da Unimed Piracicaba Luís Kanhiti Oharomari, o termo isoladamente não é uma doença em si, é muito mais um sinal ou sintoma de alguma doença. “Comparativamente, falar que uma criança tem febre nos diz que doença ela tem? Não, a febre é apenas sintoma de uma infecção. Portanto, anemia é apenas um sintoma de alguma doença subjacente. Por exemplo, anemia causada por câncer,
por hipotireoidismo, por insuficiência renal, etc.”, explica o especialista. Kanhiti afirma que há vários tipos de anemia, com as mais diversas causas, mas que a mais comum entre crianças é a deficiência de ferro, a anemia ferropriva.
Existem três grandes grupos de anemia e cada grupo é subdividido em vários subgrupos, e cada subgrupo por sua vez é subdividido em várias causas. São eles:

  1. Anemia por diminuição de produção
    de glóbulos vermelhos:
    ocorre pela deficiência de alguns nutrientes como ferro, ácido fólico e vitamina B12, ocasionando anemia ferropriva, anemia megaloblástica e anemia perniciosa. Outras causas de diminuição de produção de sangue são doenças hereditárias, como a anemia de fanconi e a anemia aplástica.

Ferropriva – a anemia ferropriva é secundária a vários fatores, como a baixa ingestão de ferro da alimentação, erro alimentar, sangramento crônico intestinal, verminose, menstruação excessiva;

Megaloblástica – a anemia megaloblástica é anemia por deficiência de ácido fólico. É causada pela baixa ingestão de folhas verde-escuras e cruas;

Perniciosa – a anemia perniciosa (deficiência de vitamina B12) é causada pela gastrite atrófica, pela cirurgia bariátrica ou outras cirurgias que retirem partes importantes do estômago;

Fanconi – a anemia fanconi é uma doença genética caracterizada por estatura baixa, anomalias no esqueleto, tumores sólidos e leucemias, insuficiência da medula óssea progressiva (anemia aplástica) e alterações renais;

Aplástica – a anemia aplástica é uma doença que pode ser hereditária (anemia de fanconi) ou adquirida ao longo da vida após exposição a agentes químicos derivados de petróleo, quimioterapia, radioterapia ou exposição a radiações ou após
infecções virais. A anemia aplástica pode afetar os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos e as plaquetas.

  1. Excesso de destruição dos glóbulos vermelhos: a anemia causada por excesso de destruição de hemácias, chamada de anemia hemolítica, pode ser causada por doenças genéticas. Ela também pode ser ocasionada por outras situações como reação alérgica a medicamentos, doenças autoimunes, linfomas, infecções e transfusão sanguínea.

  2. Talassemia – a talassemia é causada por uma mutação genética caracterizada pela má-formação das cadeias de hemoglobina. Existem três graus de talassemia, chamados de minor, intermedia e major. A minor é assintomática e na major a anemia
    é tão intensa que a criança só sobrevive à custa de transfusão sanguínea e o fará pelo resto da vida;

  3. Falciforme – a anemia falciforme faz com que a hemoglobina se cristalize em algumas condições como infecções, frio, desidratação e a hemácia fica com a forma de foice, daí o nome de anemia falciforme. A cristalização da hemoglobina deixa as hemácias endurecidas e acaba entupindo a microcirculação, principalmente das articulações, causando crises intensas de dor. Existem vários níveis de gravidade desta doença, desde o traço falciforme até a doença falciformena em que as crises dolorosas são muito intensas;
  4. Anemia por sangramento agudo: ela ocorre por trauma, hemorragia digestiva ou menstrual. “A infiltração neoplásica da medula óssea (leucemia, linfoma, metástases de outras neoplasias), infecções ou inf lamações crônicas, como tuberculose, artrite reumatoide, doenças renais, da tireoide, do fígado, do baço, do intestino delgado são exemplos de outras causas de anemia por falha de produção.

  5. A lista de doenças de cada um desses órgãos que podem causar anemia é imensa”, relata o hematologista.

CAUSAS

O especialista explica que as causas da anemia dependem muito da idade da criança. Nas primeiras 24 horas de vida a ruptura ou dilaceração do cordão umbilical, o descolamento prematuro da placenta, a incisão da placenta durante a cesária
e a hemorragia interna da gestante são as causas mais comuns para o seu aparecimento. No primeiro ano de vida, a criança pode apresentar esse quadro devido a ferro deficiência materna durante a gestação, por ter nascido prematuramente
ou por possuir um gêmeo, e a interrupção precoce da amamentação. Durante a infância, a anemia se apresenta por verminose, baixa ingestão de ferro de origem animal e verduras cruas, sangramento digestivo devido a alergia à proteína do leite de vaca e doença celíaca (intolerância a glúten). Já na adolescência, Kanhiti cita o estirão de crescimento, o erro alimentar e a menstruação excessiva das adolescentes como as principais causas da anemia.

SINTOMAS

De acordo com o hemoterapeuta, os sintomas dependem de dois fatores: a doença que provocou a anemia e o tempo que ela está presente na criança. “Quando o aparecimento da anemia é lento e progressivo os sintomas demoram a surgir. Tais sintomas podem ser de indisposição, fadiga, desânimo, cansaço fácil, dor nas pernas, muito sono, dores de cabeça, falta de concentração, retardo no crescimento, baixo peso ao nascer, dificuldade de aprendizagem, falta de ar e batedeira aos mínimos esforços”, cita. As características físicas das crianças com anemia são: lábios pálidos, cabelos finos e quebradiços,
pele seca, unhas fracas e quebradiças, língua careca, ferida no canto da boca e icterícia.

Para a identificação de anemia infantil é necessário fazer exames de sangue como o hemograma completo, ferro sérico, ferritina e transferrina e, segundo o especialista, eletroforese de hemoglobina, dosagem de ácido fólico, vitamina B12. “O restante dos exames dependerá da possível causa da anemia, como as doenças que a acarretam”, explica. E por falar em doenças que acarretam anemia, é mito ou verdade dizer que ela pode virar leucemia? Kanhiti explica que é uma crença da população achar que a anemia crônica ou mal curada pode vir a se transformar em leucemia. “A anemia pode piorar o quadro clínico de outras doenças por diminuição do fluxo de oxigênio para esses órgãos ou tecidos. Retarda a capacidade de resposta imunológica e ,consequentemente, o aparecimento de infecções de repetição, mas não irá se transformar em leucemia”, declara.

TRATAMENTO

O tratamento depende da causa, como o hematologista diz, porém muitas crianças acabam tomando vitaminas como sulfato ferroso, ácido fólico e vitamina B12 conforme suas necessidades. A alimentação é uma ótima forma e opção de tratamento.
Kanhiti cita o leite materno como o primeiro alimento que previne a anemia. A carne vermelha é a principal fonte de ferro para a criança, seguida de alimentos ácidos como suco de laranja, limão, abacaxi e a ingestão de folhas verde-escuras e cruas. O profissional afirma que caso a criança não consiga ingerir esses alimentos por ter intolerância gástrica, o tratamento pode ser feito endovenoso, com o ferro diluído em soro fisiológico. Sobre a cura da anemia o profissional finaliza dizendo que “as anemias hereditárias como a talassemia, anemia falciforme, anemia de fanconi, anemia aplástica não têm cura, têm controle. A anemia por falta de vitaminas ou sangramento tem cura, basta corrigir a causa da anemia e fazer o tratamento completo que o profissional indicar”.

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