Antonio Pedro de Mello: É momento de conscientização

Pedro Mello é secretário Municipal de Saúde (Crédito: Claudinho Coradini/JP)

O piracicabano Antonio Pedro de Mello, 67 anos, é formado em medicina pela UnB (Universidade de Brasília), com especialização em pneumologia. O filho do casal Encarnacion e Lázaro de Almeida Mello, é irmão do agrônomo Vanderley José de Mello e das pedagogas Maria Aparecida e Vera Helena.

Pedro Mello é casado com a ginecologista e obstetra Maria de Jesus Arruda e pai do da ortodontista Daniele e do ortopedista Daniel. Na vida pública, ele foi secretário de Esportes durante o governo do prefeito Barjas Negri, de 2005 a 2008 e de 2009 a 2012.

Mello continuou à frente da pasta durante o governo do prefeito Gabriel Ferrato, até maio de 2013, quando assumiu a Secretaria de Saúde, onde permanece até hoje. Em janeiro de 2017, tomou posse novamente como secretário de Esportes, acumulando as duas pastas.

Assim como todos os secretários e autoridades em saúde do Brasil e do mundo, Mello e sua equipe têm se debruçado 24 horas sobre a pandemia de Covid-19 (coronavírus) que já fez milhares de vítimas.

Sem casos positivos da doença – até a última sexta-feira, 20, Piracicaba registrava 49 casos suspeitos e outros 25 descartados para a doença – a cidade não está immune às consequências do novo coronavírus.

Sob a regência do ministro Henrique Mandetta, a quem Mello elogia pela prontidão em tratar a pandemia, as autoridades em saúde do país têm buscado maneiras de enfrentar o inimigo invisível.

A doença mudou a rotina das cidades, tirou as pessoas das ruas, do trabalho, fechou escolas, shoppings e reduziu drasticamente a vida social.

Nesta semana, o prefeito Barjas Negri anunciou situação de emergência para a cidade, enquanto o governador do Estado de São Paulo, João Doria, decretou estado de calamidade pública.
São Paulo contabilizava até sexta-feira, nove mortes e 396 casos confirmados de coronavírus.

A partir de hoje (23), tem início a campanha de vacinação contra a gripe. O Ministério da Saúde tomou a decisão de antecipar em um mês a imunização da população.

A orientação é que todas as pessoas dos grupos prioritários se imunizem, porque isso ajudará no combate à Influenza e ao H1N1.

Em Piracicaba, a campanha acontece em todos os postos de saúde do município em seus horários habituais.

Para evitar aglomerações, os profissionais das unidades irão auxiliar na organização da fila para que as pessoas mantenham distância de aproximadamente 1 metro uma das outras

Mello destaca que os sintomas da doença são semelhantes aos do coronavírus e essa antecipação visa reduzir a carga da circulação de influenza e H1N1 na população e minimizar o impacto sobre os serviços de saúde.

Nesta semana, o secretário respondeu por e-mail as questões para o Persona. Na entrevista, ele fala da situação da cidade diante da pandemia, fake news e prognósticos da doença.

Os casos de coronavírus têm aumentando no país, apesar de não registrar caso positivo, a  população de Piracicaba deve se preocupar com a doença?
Claro que sim. Trata-se de uma pandemia mundial e nenhum país, estado ou município está fora do risco de ter casos confirmados da doença.

Quantas pessoas com sintomas do coronavírus têm procurado o serviço de saúde em Piracicaba desde que a doença passou a ser considerada pandemia pela OMS (Organização Mundial de Saúde)?
As pessoas têm procurado as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento|) por problema respiratório. No momento, temos 49 casos suspeitos de coronavírus na cidade. Todos estão em isolamento domiciliar, enquanto aguardam resultados dos exames e passam bem.

Essa procura mudou a rotina dos equipamentos de saúde?
Sem dúvida. Desde o primeiro momento em que se começou a noticiar casos de coronavírus na China e a se cogitar o risco de pandemia, com forte possibilidade de a doença chegar ao Brasil, o governo municipal tem trabalhado para organizar nossa rede de saúde para uma eventual epidemia. Esse trabalho é integrado e envolve o setor público e privado. Todos os hospitais da cidade, UPAs e a Rede de Atenção Básica estão alinhados para uma trabalho integrado no enfrentamento da situação.

A cidade tem condições de atender a demanda se, por ventura, houver um aumento de suspeitos e testagens positivas para a doença?
A rede municipal de saúde está se readequando para fazer frente a excepcionalidade do momento. Representantes do HFC, Santa Casa, Hospital Regional, Hospital Unimed, Hospital São Francisco, coordenadores das UPAs, da Atenção Básica e do Cevisa (Centro de Vigilância em Saúde), estão em diálogo permanente, com reuniões diárias, ajustando os protocolos para um eventual agravamento do cenário. Portanto, é importante deixar claro, que a cidade possui sim uma estrutura qualificada de saúde, com profissionais de alto padrão, para responder à altura a demanda por atendimentos médicos e hospitalares de coronavírus. Por outro lado, é importante que a população também se sensibilize, se responsabilize e faça a sua parte, evitando ao máximo contatos desnecessários entre pessoas. O isolamento, nessa fase, é a única forma de interromper a escalada do coronavírus.

O senhor disse, recentemente, que o novo pronto-socorro da Vila Cristina, que está em obras, tem condições de atender a cidade e ser usado exclusivamente em uma eventual epidemia. Se isso acontecer hoje, qual unidade tem condições de centralizar esse atendimento?
A centralização, em uma primeira etapa, se for necessária, se dará em uma das UPAs já instaladas, com a retaguarda dos hospitais da cidade.

O senhor acredita que o governo federal tem agido e se posicionado corretamente no enfrentamento do Covid-19?
O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, tem agido com prontidão e dado exemplos de clareza e objetividade, duas qualidades fundamentais para uma liderança em situação de saúde pública atípica e nova como esta. Em parceria com o infectologista David Uip, coordenador da equipe que combate a pandemia do novo coronavírus no Estado de São Paulo, tem feito, até o momento, um trabalho que merece elogio.

Em torno da doença circulam muitas notícias falsas, as chamadas fake news, como a Secretaria de Saúde tem lidado com essas informações?
Para evitar as fake news, o governo municipal tem centralizado as informações no Centro de Comunicação Social, que são divulgadas nos canais oficiais de notícias (http://www.piracicaba.sp.gov.br/plantao+coronavirus+covid+19.aspx). Nesse momento, é fundamental também a contribuição de toda a imprensa, que precisa ampliar a apuração das informações que pretende divulgar, sem criar alarde. A circunstância exige uma imprensa atenta e compromissada com uma informação de qualidade.

Há algum medicamento que seja contra-indicado em casos de suspeita de coronavírus?
O que mais tem sido citado pelos especialistas é o Ibuprofeno.

Há alguma característica da cidade, como localização, turismo, que possa contribuir para o aumento de casos suspeitos e/ou positivos?
Sim. Somos um polo regional em vários setores: comercial, turístico, educacional e industrial. Isso atrai muitas pessoas do país e do mundo. No entanto, são também setores que estão muito bem informados para ajudar a conter a disseminação do vírus. Para isso, estão adiando todos os eventos possíveis para uma ocasião mais oportuna. As universidades, por exemplo, já interromperam as aulas.

Qual a principal recomendação às pessoas nesse momento?
Que não circulem. Permaneçam em casa, se possível. A transmissão se dá de pessoa para pessoa, por meio das secreções das vias aéreas superiores. Ou seja, espirros, tosses etc. Por isso é necessário o isolamento para quem apresente algum sintoma.

Qual o seu prognóstico da doença, é possível estimar quando a situação volte a se normalizar?
A normalização pode se dar de três a seis meses, podendo este prazo ser encurtado ou estendido dependendo do apoio da população e do surgimento de alguma vacina ou droga que possa atuar contra o coronavírus.

REGRAS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE :

Para evitar a proliferação do vírus, o Ministério da Saúde recomenda medidas básicas de higiene como: lavar bem as mãos (dedos, unhas, punho, palma e dorso) com água e sabão, e, de preferência, utilizar toalhas de papel para secá-las.

Além do sabão, outro produto indicado para higienizar as mãos é o álcool gel, que também serve para limpar objetos como telefones, teclados, cadeiras, maçanetas, etc. Para a limpeza doméstica recomenda-se a utilização dos produtos usuais, dando preferência para o uso da água sanitária (em uma solução de uma parte de água sanitária para 9 partes de água) para desinfetar superfícies.

Utilizar lenço descartável para higiene nasal é outra medida de prevenção importante. Deve-se cobrir o nariz e a boca com um lenço de papel quando espirrar ou tossir e jogá-lo no lixo. Também é necessário evitar tocar olhos, nariz e boca sem que as mãos estejam limpas.

Para a higienização das louças e roupas, recomenda-se a utilização de detergentes próprios para cada um dos casos. Destacando que é importante separar roupas e roupas de cama de pessoas infectadas para que seja feita a higienização à parte. Caso não haja a possibilidade de fazer a lavagem destas roupas imediatamente, a recomendação é que elas sejam armazenadas em sacos de lixo plástico até que seja possível lavar.

Além disso, as máscaras faciais descartáveis devem ser utilizadas por profissionais da saúde, cuidadores de idosos, mães que estão amamentando e pessoas diagnosticadas com o coronavírus. Também é importante que as pessoas comprem antecipadamente e tenham em suas residências medicamentos para a redução da febre, controle da tosse, como xaropes e pastilhas, além de medicamentos de uso contínuo.

Produtos de higiene também devem ser comprados e armazenados como uma medida de prevenção. No caso das crianças, recomenda-se que os pais ou responsáveis, adquiram fraldas e outro produtos em uma maior quantidade para que se evite aglomerações em supermercados e farmácias.

Beto Silva

CRÉDITO DA FOTO: Claudinho Coradini/JP