Assembleia popular no Apeoesp aconteceu no fim de semana (Foto: Claudinho Coradini/JP)

A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) realizou neste fim de semana, uma assembleia popular regionalizada, na qual o Sindicato aprovou a deflagração de greve dos professores contra a volta das aulas presenciais em função da pandemia de covid-19, mantendo assim apenas as aulas à distância (online). O principal argumento da Apeoesp foi em razão da valorização da vida dos envolvidos, seja professores, alunos e outros funcionários.

“A decisão foi tomada em virtude da pandemia e após debate em torno da situação das escolas, levando em conta que o governo não investiu na estrutura das unidades escolares. Foi decidido que não haverá volta às aulas presenciais em 2020, porque todas as vidas importam”, enfatiza a Professora Bebel (PT), deputada federal e presidente da Apeoesp.

Durante o debate, Bebel disse que os principais motivos para essa decisão são as condições sanitárias apresentadas e o alto número de infectados e mortes por covid-19 no país. “Qualquer volta só pode acontecer após o controle da pandemia. No Brasil já há 154.226 mortes por covid-19. Já são 5.251.127 casos da doença registrados. A média atual é de 502 mortos por dia. Essa média de 502 mortes diárias não pode ser considerada como indicativo de que já há segurança para a volta das atividades presenciais. Muito pelo contrário, esse número indica que a situação ainda é grave. Vamos manter vigilância permanente nas escolas”, diz Bebel.

Os participantes da assembleia que mantém os professores e funcionários em teletrabalho, reafirmaram que a prioridade é a defesa da vida e que, portanto, impor a volta às aulas presenciais em plena pandemia é uma atitude irresponsável e criminosa. “Voltaremos às escolas somente com a plena garantia de que professores, estudantes e funcionários não estejam expostos à contaminação. Em caso da ocorrência de contágio ou óbitos decorrentes da volta às escolas durante a pandemia, todos os governantes e agentes públicos que tenham contribuído com suas decisões para essas ocorrências serão responsabilizados”, destaca Bebel.

Para a presidente da Apeoesp, é necessário que se estabeleça o diálogo entre o governo, autoridades sanitárias, entidades de professores, estudantes, funcionários, pais/mães para determinar o momento seguro do retorno e todos os encaminhamentos que envolvem essa questão. Bebel lembra que a Apeoesp tem cobrado desde abril a constituição de uma comissão paritária com esse objetivo.
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que a retomada das atividades presenciais é opcional, tanto para alunos quanto para professores. “Ela tem sido pautada nas recomendações sanitárias do Centro de Contingência do Coronavírus, assim como no diálogo com a comunidade escolar. Nenhum professor está sendo obrigado a retornar as atividades, já que o mesmo não é obrigatório”, disse em nota.

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