Apeoesp denuncia volta às aulas presenciais à OMS

Seduc afirma que decisão considera recomendações sanitárias (Foto: Amanda Vieira/JP)

Em ofício ao diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom, a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) pede representação contra o governador do Estado, João Doria, “por negligência e descumprimento das normas e protocolos […] para contenção da pandemia de coronavírus, especialmente naquilo que diz respeito à volta às aulas na modalidade presencial”, pelo que o sindicato considera uma data não segura. O documento pede que a OMS tome as “medidas cabíveis” e acompanhe o planejamento de retomada das aulas presenciais.

No cronograma do Plano São Paulo, a retomada gradual das aulas presenciais no Estado está prevista para 8 de setembro nas cidades que estiverem há pelo menos 28 dias na fase amarela da flexibilização da quarentena.

“Ao mesmo tempo, vimos responsabilizar o Governo do Estado de São Paulo, na pessoa do Governador João Doria pelos contágios e óbitos que decorram da sua incúria e antecipação da volta às aulas em regime presencial, para data que não seja segura”, diz ainda o ofício, assinado pela presidente do sindicato e deputada estadual, professora Bebel (PT).

“Não podemos aceitar pacificamente que o governo de São Paulo imponha o retorno às aulas presenciais, que conforme especialistas, colocará em risco a vida de alunos, professores, enfim, de toda comunidade escolar, além de ampliar as possibilidades de se contaminarem e levarem para suas casas esse vírus que já matou mais de [90] mil brasileiros”, diz Bebel.

A Apeoesp pontua a falta de estrutura nas escolas públicas para cumprir as normas sanitárias exigidas para manter a saúde de colaboradores, professores e alunos. “Há necessidade de replanejamento arquitetônico das escolas e não se pode sequer ser imaginado que o Estado de São Paulo ceda às pressões para que as aulas em regime presencial sejam retomadas por conta de pressões que as escolas das redes privadas possam estar fazendo neste sentido”, consta no ofício.

Questionada pela reportagem, a Seduc (Secretaria da Educação do Estado de São Paulo) afirmou que pauta a retomada das aulas presenciais “em medidas de contenção da epidemia, atendendo aos interesses da população e sem colocar nenhuma vida em risco”. A pasta disse ainda que a decisão foi tomada “após diálogo” com representantes dos envolvidos e que segue as recomendações sanitárias do Centro de Contingência do coronavírus.

Andressa Mota