Após comandar os bombeiros em Piracicaba, ten. cel. Rédua retorna como responsável pelo 10º BPM/I

Filho de um major da Aeronáutica e uma professora, o paulistano Adriano Manoel Rédua dos Santos é o novo comandante do 10º BPM/I (Batalhão da Polícia Militar do Interior) de Piracicaba. Recém promovido à tenente-coronel, Rédua é o responsável pelo policiamento em 11 cidades da região e está subordinado ao CPI-9 (Comando de Policiamento do Interior).

Rédua teve a influência do pai na escolha de sua carreira, que iniciamente achou que seria no Exército. Chegou a ingressar a Escola de Cadetes do Exército aos 19 anos, mas decidiu entrar para a Polícia Militar depois de participar do Torneio Independência, que ocorreu entre os alunos da Escola de Cadetes com a

Academia do Barro Branco, que formam oficiais da PM. Casado e pai de um rapaz de 18 anos é para o conforto da família que prefere ficar em seus momentos de folga. Conheça um pouco dos 28 anos de carreira de Rédua destinados à Polícia Militar, tanto na atuação no patrulhamento, como também como oficial do Corpo de Bombeiros no Persona deste domingo. Confira a entrevista:

– Qual é a identidade do Sr com Piracicaba? Eu tenho um amor por Piracicaba muito grande. É uma cidade bonita, tem uma boa quantidade de árvores, recursos hídricos, tem uma boa estrutura hospitalar e postos de saúde. Temos o privilégio de ter o 10º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), temos sede de batalhão, CPI-9. A cidade é fácil de conquistar, conta com uma população muito receptiva, não tem como deixar de adorar Piracicaba.

– Quais foram as suas primeiras funções na PM? Minha formatura foi em 1994. Trabalhei inicialmente no 18º BPMM (Batalhão da Polícia Militar Metropolitana), na Freguesia do Ó, na Zona Norte de São Paulo, onde fiquei dois anos. Depois foi transferido à pedido ao 8º BPM/I, de Campinas, onde residia. Em 2000 prestou concurso interno para o Corpo de Bombeiros. No ano seguinte, trabalhei em um posto em São Paulo, já como bombeiro, no 1º GB (Grupamento de Bombeiros), da Vila Prudente. Depois no 18º GB em Osasco, por um curto período. Em seguida fiquei mais dois anos no 15o GB em Sorocaba. Em 2003 cheguei em Piracicaba, como tenente e trabalhei na mesma sede, que era dos bombeiros e hoje é do 10º Batalhão. Fiquei nove anos na cidade. Já como capitão, comandei o Subgrupamento em Rio Claro e depois retornei ao policiamento (PM), em 2013 e trabalhei no 19º BPM/I, em Americana. Fiz o curso de aperfeiçoamento e em 2017 fui promovido a major. Fui promovido no dia 25 de agosto deste ano a tenente-coronel e designado para Piracicaba.

Ainda como bombeiro teve alguma ocorrência que te marcou? Participei de uma ocorrência em Santa Rita do Passa Quatro, que não foi positiva. Um rapaz fez uma descida em uma cachoeira logo depois de uma chuva forte que caiu no dia anterior. Localizamos o corpo somente depois de três dias.

Os bombeiros atuam também no salvamento de animais? Sim, tivemos uma em Piracicaba, que tratava-se de um bezerro que caiu em um poço. Foi uma ocorrência complexa, pois o bombeiro teve que descer em um local estreito, tivemos que fazer o preparo na borda do poço. Conseguimos concluir o salvamento e o animal foi retirado com vida. Foi uma hora e meio de trabalho.

– Como é a atuação dos bombeiros em incêndio?

Muitas vezes temos que entrar em edificações que estão estalando, ou seja, podem cair. Tem a necessidade de fazer o combate, mas sempre observado a edificação.

– Qual a sua análise sobre as queimadas que são frequentes nesta época de estiagem? O que a gente vê primeiro é a falta de respeito, porque a fumaça faz mal para todos. Algumas pessoas adotam essa medida para limpar o terreno, pois não querem ter o trabalho de recolher os restos de galhos, ou vegetação. Acham mais fácil atear fogo. Muitas vezes nem é realizado pelo proprietário do terreno, mas de algum contratado, que não quer ter o trabalho de recolher os entulhos, como vegetação e restos de galhos. As prefeituras disponibilizam locais adequados, basta se informarem. Sem contar, os animais, principalmente os silvestres, que estão acuados e acabam invadindo a cidade, como as onças, que infelizmente está ficando cada vez mais comum.

– Quais são suas propostas no comando do 10º BPM/I? Fiquei muito feliz com minha classificação no 10º BPM/I, que é uma unidade tradicional, que tenho ouvido boas referências. Conta com um efetivo muito competente. Tenho expectativas boas e pretendo contribuir nas questões de segurança pública nas 11 cidades. Além de ter bom um ambiente de trabalho, com instruções frequentes para atuarem com segurança nas ocorrências. Pretendo ter um bom envolvimento com a sociedade na região, pois pretendemos unir esforços nas ações de prevenção primária, que são ações como providências para melhorar a iluminação de uma praça, rua, ou uma escola. Evitando que o ambiente fique propício para cometimento de algum crime. Agradeço ao coronel Cerqueira (Willians de Cerqueira Leite Martins), comandante do CPI-9 e ao comandante da corporação.

– Quais as suas prioridades no comando do 10º BPM/I? A minha prioridade é justamente aumentar a visibilidade das nossas patrulhas para demonstrar operações, que previnam os delitos, que são as ações de presença, que é a função primordial da Polícia Militar. Fica sempre esse desafio de mantermos as nossas equipes nas ruas e disponíveis. Dependendo de cada necessidade, pois há momentos em que a equipe precisa ser despachada pelas normas do sistema 190. Em muitos casos, as equipes acabam saindo de seu setor para atender uma ocorrência de pertubação de sossego.

– Em muitos casos, as pessoas ligam no telefone 190 para pedir ajuda em casos envolvendo crianças, como engasgamento. Como vê esse tipo de atendimento? São consideradas atividades não policiais. Elas ocorrem justamente pela disponibilidade da equipe. Muitas vezes, as pessoas tentam no desespero ligam para todos os números mais conhecidos, entre eles os bombeiros. Infelizmente, neste época de seca, os bombeiros não param no quartel, ou outros tipos de ocorrências. Muitas vezes, as pessoas têm em mente o telefone 190 e acabam ligando. Tendo uma equipe próxima, ela é deslocada, além do solicitante continuar recebendo as orientações do atendente do Copom (Centro de Operações da Polícia). Muitas vezes é o anjo que aparece, que ajuda nesses momentos tão importantes como engasgamento ou partos.

– Como avalia as recentes premiações em qualidade no Estado no 10º e CPI-9? Pretendemos manter resultados com qualidade na nossa gestão, pois quando temos bons indicadores, eles refletem nosso trabalho em várias frentes. Uma delas é continuar diminuindo os indicadores. Constatamos que a região tem mantido bons índices. Entendemos que o ideal é que fosse próximo à zero. Mas sabemos que os índices não dependem somente da polícia, está ligado a outros fatores como emprego, educação etc.

– Como pretende manter a queda dos principais indicadores criminais? O atual período de quarentena interfere de alguma forma? Com certeza esse período em que as pessoas ficam mais em casa contribuiu para a queda em algumas questões. No entanto, fica a preocupação com crimes contra o patrimônio, em razão da dificuldade da economia. Ao mesmo tempo há uma expectativa de crescimento da economia.

– Qual a análise do Sr como os crimes contra a vida como homicídio e feminicídio, por exemplo? Muitos crimes, entre eles os passionais, são difíceis de serem coibidos pela Polícia Militar, pois geralmente ocorrem dentro do ambiente doméstico. O que gostamos de destacar é que as pessoas nos ajudem a descobrir o problema antes que aconteça. Vizinhos que percebam que casal tem constantes brigas, ou com algum perfil violento devem acionar a Polícia Militar.

– Acha importante manter as prisões dos foragidos da Justiça? Essa atuação é muito importante, porque tira de circulação a pessoa com potencial de prejudicar trabalhadores e mulheres com ações delituosas. Os foragidos precisam responder na Justiça o que já estava devendo. A preocupação da Polícia Militar é evitar a reincidência. Muitas vezes fica a sensação que a polícia não está atuando. Nas prisões em flagrante, por exemplo, na maioria das vezes tem um histórico de outros antecedentes.

– Como pretende combater o inimigo invisível, o vírus do novo coronavírus para os policiais, que assim como os profissionais da saúde também estão na linha de frente? Essa é preocupação que precisa ser renovada todos os dias. Porque estamos acompanhando as mudanças de fase. Percebemos que as pessoas não estão aguentando mais ficar em casa e abusam na falta de cuidados. Os policiais estão mais expostos. No meu primeiro dia de trabalho, estávamos saindo do batalhão, quando um senhor, nos parou e pediu ajuda para socorrer a sua filha, que havia passado mal em um ônibus. Assim que a colocamos na viatura soubemos que ela estava com falta de ar e logo pensamos que poderia ser a covid-19. A jovem foi deixada na unidade de saúde e retornamos à viatura com os vidros abertos. Apesar de adotarmos todos os cuidados, nunca sabemos quando pode ocorrer. A polícia não vai deixar de atuar nas suas funções. Desde o atendimento em alguma solicitação da comunidade ou durante às abordagens.

Qual as orientações que o Sr diz para os jovens que pretendem atuar no Corpo de Bombeiros ou Polícia Militar? É preciso cuidar do condicionamento físico, olhar os editais que estão disponíveis em sites de concursos ou da Polícia Militar. Para se antecipar e já ter acesso às disciplinas que constam no concurso. Treinar redação, pois contam bastantes pontos.

– O que o Sr gosta de fazer nos momentos de folga? Sou bastante caseiro, não gosto muito de saídas noturnas, mas às vezes faço uma exceção e tenho alguma vida social. O que eu gosto mesmo é ficar com a minha família e curtir programas de televisão.