Após mobilização, pais garantem transporte escolar para alunos

Grupo de pais se mobilizou e conseguiu encontro com responsáveis pelo transporte público escolar (Crédito: Claudinho Coradini/JP)

 

Após um ano sem uma resposta quanto o transporte escolar dos filhos, um grupo de aproximadamente 15 pais se uniu ontem para buscar uma solução para o problema. A maioria dos estudantes reside no condomínio Bertonlin 2, no bairro São Francisco. Eles estudam na escola estadual Pedro Moraes Cavalcanti, no Nova Iguaçu.

Os pais contaram que desde o ano passado tentam conseguir o transporte escolar no ônibus que atende a outros alunos. “A monitora e o motorista nos pediam uma declaração, mas nem a secretaria de Educação do município, nem a escola nos fornecia”, contou o operador de logística Márcio Zuccolo.

Cansados de não encontrar resposta, os pais decidiram transportar os filhos por conta própria. Com o começo do ano letivo, neste ano eles enfrentaram os mesmo entraves.

Ontem, eles se reuniram para buscar uma saída e falaram com o representante da empresa Stenico, que faz o transporte dos estudantes.
Segundo o empresário André Stenico, só podem ser transportados pela empresa, os estudantes que constam de uma relação emitida pela escola e os alunos do São Francisco não estavam insertidos na listagem. “Não podemos, de maneira alguma, transportar alunos que não estão na lista”, afirmou Stenico acrescentando que é contratado pela prefeitura para prestar o serviço.

O dirigente regional de ensino, Fábio Negreiros, disse que esses estudantes não atendem aos critérios da lei federal que garante o transporte escolar. Segundo o dirigente, no bairro há uma escola estadual a menos de 800 metros do condomínio, com vagas disponíveis. “Eles decidiram estudar na escola do Nova Iguaçu por opção, neste caso, não estão enquadrados no que a lei estabelece”, explicou.

Negreiros disse que o Estado mantém um convênio com o município para o transporte escolar e que nenhum aluno do São Francisco atualmente é atendido devido a existência de unidade escolar que atende a demanda.
Quanto ao ônibus da empresa Stenico, Negreiros disse que a prefeitura é responsável pelo contrato e que ela disponibiliza o serviço para atender ao interesse público. “Nós não podemos impedir que a prefeitura ofereça o transporte por conta própria a esses alunos”, pontuou.

A Secretaria Municipal de Educação informou que a inclusão do grupo de alunos do São Francisco no transporte para a escola Pedro Moraes Cavalcanti foi autorizado ontem pela Diretoria Regional de Ensino. “Diante desta solicitação a secretaria arcará com os custos desse transporte, embora sem contrapartida financeira do convênio com o Estado, neste ano de 2020”, informou acrescentando que o ônibus que faz o transporte não pertencente ao convênio firmado entre Estado e município, ou seja, não há repasse de recursos do Estado que exija da prefeitura o atendimento aos alunos que não fazem jus ao transporte, conforme legislação.

 

Beto Silva
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