‘Aqui na Eslováquia nos receberam de braços abertos’, diz jogador piracicabano que estava na Ucrânia

Foto: Divulgação

Gabriel com o uniforme do Volchansk: ‘O pior já passou’

Depois de muita luta e sofrimento para deixar a Ucrânia com vida, os piracicabanos jogadores do Volchansk, o atacante Gabriel Patreze, 20, e o meia Victor Adame, 22, já estão na Eslováquia. Agora, vivem a expectativa do voo para o Brasil. Nesta terça-feira, Gabriel falou ao JP sobre como andam as coisas lá na Eslováquia e também os momentos de pânico que viveram para deixarem a Ucrânia. Vejam o relato abaixo:

“Agora as coisas estão bem estamos num lugar seguro e muito bom, é a casa do João e Gisele brasileiros que nos acolheram aqui na Eslováquia, eles moram aqui. Estamos vendo entre hoje (terça) e amanhã (quarta) parece que terá voo para resgatar brasileiros saindo da Romênia, aí teríamos que ir até lá. A tensão foi muito grande muito barulho de bomba, jatos passando.. aí toda vez q a gente via que a coisa ia começar a ficar feia a gente descia pro bunker do nosso prédio, que é um lugar mais reforçado no porão feito exatamente pra essas ocasiões, e o local mais seguro que a gente tinha no momento. A gente conseguiu sair da cidade que a gente estava na Ucrânia (Kharkiv) no último momento que daria no sábado, porque logo após sairmos tudo se alastrou.. Não saia mais um trem da cidade fomos no último, ninguém podia sair na rua porque parecia que quem eles vissem davam tiro, muitos bombardeios aéreos, tiros… Olha Deus foi muito bom com a gente, porque realmente virou um cenário de filme assustador de guerra. Jogo no FC Volchansk. Tenho 20 anos, jogo de atacante. Estamos na Eslováquia, na cidade Kosice. Joguei no XV de 2018 até o meio de 2021, as outras equipes que joguei foi o Cruzeiro 1 ano, e inter de Limeira por 1 ano. Pegamos um trem de Kharkiv até Lviv que durou 26 hs, no caminho desse trem passamos por Kiev lá ficamos parado 8 horas com o trem com as luzes apagadas, porque parece que tinha risco de continuar viagem por ali naquele momento. Chegando em Lviv tivemos que pegar outro trem até a cidade fronteira com a Eslováquia, Uzhhorod. Aí na fronteira foi o pior momento a travessia, ficando 9 horas numa fila enorme só com estrangeiros. Muita loucura empurra-empurra e o pior de tudo era o frio de -4 graus, estávamos congelando… Uma mulher teve de ser socorrida com hipotermia pela ambulância. Depois disso, começou andar mais rápido a fila. O que os policiais e exército estavam fazendo com a gente ali é
desumano não se faz com ninguém. Não se colocaram nem um pouco no nosso lugar, só falaram tipo assim ‘ninguém é do nosso país então que se f*’. Foi isso depois que vimos a travessia acabou tudo, aí veio o alívio.. O pessoal aqui da Eslováquia nos recebeu de braços abertos, tanto na fronteira como os que acolheram a gente. Os trabalhadores quiseram até foto por sermos brasileiros. Graças a Deus deu tudo certo! Quero agradecer também o meu empresário (Edmar Lacerda). Ele me deu todo o suporte. A cada travessia da viagem tinha alguém de confiança dele para nos buscar e nos acompanhar. Sou muito grato e ele.”

Erivan Monteiro
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