Artista da dança propõe autoconhecimento por movimentos

A piracicabana e artista da dança Natália Alleoni traz suas transformações profissionais e pessoais a um novo projeto, o “Dança Integrativa”. Agora, ela volta à cidade para difundir as experiências intensas, ao mesmo tempo artísticas e psicológicas, especialmente sobre identidade e o eu feminino.

A ideia, já em prática em algumas escolas de dança de Piracicaba, ela explica, é “proporcionar uma maior conscientização do corpo em sua totalidade – sentimentos, emoções, campo simbólico e desejos -, propondo uma vivência dançante e integrativa para mulheres”.

Natália saiu da cidade em 2005, para fazer faculdade na Unicamp, em Campinas. Na cidade, era integrante de grupos locais de danças e transitou pelo balé, jazz, contemporâneo e sapateado. “Todas as modalidades que as escolas de dança ofereciam e competia com balé clássico. Era uma bailarina clássica”.

O contato com a dança autoral aconteceu na graduação, conta Natália. “Voltada a uma pesquisa quase que autobiográfica, me identifiquei bastante com esse trabalho”. Voltava a Piracicaba para alguns eventos pontuais. Há dois anos terminou o doutorado e desejou levar a diante o projeto.

Dança Integrativa porque “carrega vários aspectos de práticas de psicanálise, psicologia, terapias comportamentais, enfim, uma série de vivências que tive, mas nunca deixar de lembrar que falamos de arte, de dança. Começo a unir tudo”.

O projeto segue a linha yungiana, trabalhando questões de uma imaginação ativa, processo de individualização. Neste processo, conta Natália, surgiu o solo, ‘Laço, Rastros e Traços’.

Foi o começo da jornada de trabalhar com mulheres, revela a bailarina.

A dinâmica carrega o espírito de integração. “Trago uma dança que vai compondo por duas, três horas, e o grupo vai se entendendo num campo imaginário comum, trazendo as próprias vivências, que integram aspectos do eu, elaborando questões de vida, e sempre de forma despretensiosa no sentido psicológico, ao mesmo tempo que muito intensa no sentido físico.”, ressalta Natália.

Casais também podem participar do projeto, ela afirma. “Para casais é a mesma ideia. Vejo trabalho maravilhosos dentro de uma linha tântrica, ou de dança de salão, com um trabalho de tonicidade, com toque, foco, sensibilidade. Pode ser muito especial para qualquer relação”.

Erick Tedesco ([email protected])