Artista piracicabano fala de criatividade no isolamento

Fernando Bisan e sintetizador Model D 1, 2 e 3 (Foto: Divulgação)

O músico e produtor piracicabano Fernando Bisan aproveita o isolamento social para criar e refletir sobre o cenário musical num momento seguinte à pandemia. No estúdio caseiro, ele desenvolve três projetos, que vão desde música eletrônica ao noise, alguns iniciados antes da crise da covid-19, e um em específico, o barulhento e político Garatuja, como ele brinca, um exímio “filho da pandemia”.

No entanto, tão urgente quanto manter-se ativo dentro do ofício, Bisan pensa que este momento é um divisor de águas para quem faz arte. “Rompe com o modelo consolidado até o século passado, de um local bem demarcado entre arista e público. Obriga a pensar outras formas de expressão e expandir a forma com que se busca passar uma mensagem”.

Dentre os citados projetos, o primeiro é o Vega Lumen, de música eletrônica (chill wave, synth wave), que Bisan mantém ao lado do músico e DJ Danilo Ferrari e da cantora Tamy Tectoniza, ambos de Piracicaba. O primeiro single, ele garante, sai ainda em junho.

O segundo projeto é o quarto lançamento do Acho Melhor Não, banda piracicabana formada em 2011 por Ana Pisani (baixo), Fabio Moretti (guitarras e produção), Rodrigo Toledo (guitarras) e por Bisan (bateria, sintetizadores, produção e voz). “Começamos como uma banda de rock garageiro com elementos indie. O próximo lançamento, previsto para a segunda quinzena de junho, flerta com o post-rock e música eletrônica experimental. Toda a produção foi feita em nossas casas”.

Por último vem o Garatuja, um projeto pessoal pessoal de power noise industrial e grind core, segundo Bisan, totalmente inspirado no “insustentável cenário capitalista evidenciado pela pandemia”, com letras em português que falam do cenário político brasileiro e estadunidense. “Já tenho duas músicas, mas que precisam ser azeitadas. Enquanto penso na melhor forma e melhor momento para lançá-las, continuo acrescentando elementos”. Estes elementos, ele revela, são samplers de falas peculiares de políticos. “É algo barulhento e pesado”, destaca Bisan, um reflexo tal qual da política brasileira.

A incerteza de quando jogar o trabalho do Garatuja ao mundo tem a ver com a sensibilidade de Bisan quanto ao momento histórico. “Penso muito que a música deve dialogar com a realidade”. Aliás, manter sua arte próxima aos acontecimentos do mundo diz respeito a outros questionamentos, agora num cenário macro. “Algo já era apontado no começo do século, pela tecnologia, e agora mais evidenciada, é a necessidade dos músicos de se reinventarem ou inventarem novos formatos de chegar ao público.”.

Erick Tedesco