Artistas de Piracicaba comentam legado de Moraes Moreira

Músico baiano morreu ontem, vítima de um infarto (Foto: Divulgação)

Artista do primeiro escalão da música brasileira de todos os tempos, Moraes Moreira foi encontrado morto na manhã de ontem (13) em sua casa, na Gávea (Rio de Janeiro). De acordo com a assessoria de imprensa do músico, ele teve um infarto agudo do miocárdio e morreu às 6h. O baiano, natural de Ituaçu, tinha 72 anos. A morte repercutiu nas redes sociais, com dezenas de mensagens do Brasil e do exterior em homenagem a Moraes Moreira, de artistas, políticos e fãs, inclusive de artistas de Piracicaba.

O produtor cultural Pablo Carajol destacou a vasta discografia do baiano. “A importância de Moraes Moreira para a Música Brasileira é enorme, possui mais 40 discos gravados, entre os Novos Baianos, Trio Elétrico Dodô e Osmar, com Pepeu Gomes. Além disso, se enquadra entre um dos mais versáteis compositores do Brasil, misturando ritmos como frevo, baião, rock, samba, choro e música erudita”.

Pablo também lembrou da relação íntima de Moreira com o Carnaval. “Sua atuação na organização e na popularização do carnaval na Bahia foi importantíssima, até a sua decisão em se afastar devido ao processo de mercantilização que ocorreu no carnaval. Fará muita falta, com toda certeza!”, finalizou.

Já para o músico e produtor Márcio Sartório, o Casado, Moraes Moreira foi um dos “maiores compositores do Brasil” e vai fazer falta. “Marcou muito a música brasileira, começou com os Novos Baianos, bebendo na fonte do tropicalismo”.

Casado revela que conheceu sua obra ainda na adolescência e, quando começou a tocar, se inteirou a fundo na sonoridade única de Moreira. “Tinha um violão marcante, com ótimas levadas. E o Novos Baianos estavam na ativa, vai deixar saudade”. Sartório também destacada que, há anos, a sua banda Maracangalha fez dois shows especiais em homenagem à Moraes Moreira, um no Sesc e outro no Sesi Piracicaba.

O legado do baiano foi devidamente comentado pelo artista local Ramón Saci, formado em violão popular, produtor e compostor do Grupo Cantoá. “Moraes Moreira participou do movimento de abertura cultural no Brasil. Montou o Novos Baianos em 1969, com uma sonoridade tropicalista, já fazendo fusão com a cultura americana (guitarra e bateria), mas com estética brasileira. É o verdadeiro rock brasileiro”.

Saci ainda destacou a influência da poesia concentra e abstrata na estética musical criada por Moreira. “E o mais importante, ele ainda é o representante da busca da identidade brasileira que dialoga com a cultura global”.

Erick Tedesco