Atleta supera desafios e quer brilhar no judô: ‘Meu sonho é chegar às Paralimpíadas, com certeza!’

Piracicabana, Carla Frank ficou cega há 8 anos e dá grande exemplo de superação por meio do esporte

Depois de 17 anos, a judoca Carla Andressa Frank Neves, 33, voltou aos tatames em grande estilo. Com apenas seis meses de treinos, a atleta piracicabana já chegou ao ponto mais alto o pódio, ao conquistar recentemente a medalha de ouro em uma competição no Centro Paralímpico, em São Paulo. Com isso, ela mostrou a todos que voltou com tudo ao esporte que tanto ama.

Empolgada com o retorno, ela sonha longe e pensa participar de uma paralimpíada, o que seria uma glória em sua carreira como esportista. “Meu sonho é chegar às Paralimpíadas, com certeza! Sei que tenho potencial, sei que tenho capacidade para chegar lá, mas tenho de treinar muito, me dedicar muito”, enfatizou a atleta do Clube de Campo de Piracicaba.

E para transformar esse sonho em realidade, ela conta com o apoio de muitos amigos e também de seu mestre, o professor Edinho Everaldo. “Carla está em um ótimo ritmo de treinamento, com potencial, mas entrando no circuito e competições para adquirir mais experiência”, explicou Edinho. “Ela participará do circuito da Federação Paulista de Judô com judocas convencionais, onde se tem mais atletas e mais competições, para o seu desenvolvimento como atleta”, completou.

Carla começou cedo no esporte e fez judô dos 12 aos 15 anos. Depois parou com as atividades porque o Sesi, onde treinava, não tinha categorias acima desta faixa etária. Aos 25, ela perdeu a visão em decorrência do diabetes. Porém, o que seria um grande problema em sua vida, acabou impulsionando-a para sua grande paixão. “Fiz caratê, mas era o judô que eu sempre quis.”

A volta aos tatames veio após o convite de seu grande amigo e também paratleta, Vinicius Nascimento, faixa preta no judô. “Está sendo maravilhoso. Agradeço muito a ele pelo incentivo”, contou. Carla reconhece que o retorno à prática esportiva fez um bem tremendo à sua autoestima. “Depois que eu voltei para o judô, sem a visão, a minha vida mudou em todos os sentidos”, contou a atleta.

Sua rotina de treinos inclui ida ao Clube de Campo duas vezes por semana. Independente, ela vai sozinha ao CCP às terças e quintas-feiras, à noite, onde se prepara para os próximos desafios. Faixa laranja da categoria meio-pesado, ela tem como meta chegar à faixa preta o quanto antes, intercalando com os torneios. “Estou ansiosa para as próximas competições”, revela.

Carla contou que não foi muito complicado voltar a treinar sem visão, mesmo depois de tanto tempo. Conhecedora como poucos da modalidade, ela conseguiu vencer o novo desafio com tranquilidade. “Era mais encarar os medos, porque a prática eu já sabia, a base eu já conhecia. Então, foi mais a questão da adaptação por conta da perda da visão”, enfatizou a campeã.

Erivan Monteiro
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