Com a decisão do Comitê Covid-19, os serviços não essenciais continuam fechados. (Foto: Amanda Vieira/JP)

Apesar de ser avaliada pelo Governo do Estado, como uma das cidades que poderia retornar à fase 2 (laranja), Piracicaba vai permanecer na fase vermelha do Plano São Paulo de enfrentamento à covid-19.
A decisão foi tomada ontem pelo Comitê Covid-19 e tem por base os números de casos da doença, que têm aumentado no município. Há um mês, o cenário da cidade apresentava 1.103 casos confirmados e 43 óbitos.

O aumento de casos e a consequente elevação da taxa de ocupação da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) pode provocar o colapso do sistema de saúde do município, segundo avaliou o diretor da Vigilância Epidemiológica, Moisés Taglietta.

“Analisando o aumento de casos e a ocupação de leitos, os números mostram que, se não houver diminuição de circulação, o sistema de saúde pode entrar em colapso. Essas medidas é para que isso não ocorra”, disse.

De acordo com o secretário de Saúde, Pedro Mello, mo dia 1º de julho, a cidade registrava 2.982 pessoas infectadas; nove dias depois, o numero subiu para 4.059 – aumento de 36,1%.

Já o número de internações, segundo a Secretaria de Saúde, subiu de 156 para 188, aumento de 21,3%, considerando leitos de UTI e enfermaria. “Se analisarmos somente os de UTI, o aumento foi de 37,7%, pois a ocupação foi de 61 para 84”, apontou Mello.

A resistência da população em cumprir o isolamento social é principal fator de aumento dos diagnósticos da doença. “A circulação de pessoas aumenta o poder de contaminação”, afirmou o secretário.

AUMENTO DE CASOS

Piracicaba registrou ontem mais seis mortes por covid-19. A cidade acumula agora 120 vítimas da doença ao mesmo tempo que contabiliza 4.230 infectados pelo novo coronavírus. Só nesta sexta-feira, foram 171 novos diagnósticos, dos quais 84 homens, com idades entre nove e 80 anos e 87 mulheres, de seis a 82 anos de idade.

As vítimas fatais são quatro homens, de 67 e 72 anos, residentes do Lar dos Velhinhos, e de 79 e 84 anos, e duas mulheres de 55 e de 78 anos.

Piracicaba contabiliza 2.866 pacientes recuperados da covid-19, 1.244 pessoas em tratamento e ainda 970 casos em investigação.

BEBIDAS ALCOÓLICAS
No sentido de aumentar o distanciamento entre as pessoas e, assim, diminuir os índices de contaminação, o decreto municipal que vai ser publicado na segunda-feira (13) estabelece que, a partir de 15 de julho, “fica proibida a venda e distribuição no varejo, sob qualquer modalidade, de bebidas alcoolicas a partir das 18h em todos os estabelecimentos comerciais com atividades essenciais ou não, em especial: supermercados, mercados, mercearias, padarias, bares, lanchonetes, lojas de conveniência, incluindo todos os sistemas de vendas/compra direta, sistemas de entrega ou delivery”.

Segundo o procurador-geral do município, Sérgio Bissoli, o objetivo é evitar a aglomeração de pessoas. “As penalidades para quem infringir o decreto estão previstas na Lei Estadual do Código Sanitário”, disse Bissoli.

ISOLAMENTO SOCIAL
O prefeito Barjas Negri (PSDB) reiterou ontem a importância das medidas de precaução contra o coronavírus, como o uso de máscaras de proteção facial, higiene das mãos e, principalmente, o distanciamento social. “Pedimos novamente que as pessoas fiquem em casa e que só saiam em caso de necessidade. Só assim poderemos voltar, gradativamente, à normalidade”, afirmou.

AVALIAÇÃO DO GOVERNO
O Governo do Estado de São Paulo anunciou ontem a sexta atualização de fases da retomada econômica do Plano São Paulo, com quarentena prorrogada até o próximo dia 30 de julho.

Na avaliação do estado, a estratégia permitiu melhora gradual de indicadores de controle da pandemia e capacidade hospitalar, levando ao avanço controlado da flexibilização de atividades na maior parte do interior, litoral e Grande São Paulo. Nenhuma região regrediu de fase.

“O Plano São Paulo é uma ferramenta de abertura consciente da economia, a prioridade é o controle da doença e a obediência à saúde e à medicina. Preservar vidas é, foi e continuará a ser prioridade do Governo de São Paulo e de todos que têm responsabilidade em nosso estado. Iniciamos uma nova fase na luta contra a pandemia, que marca gradualmente e de forma segura o retorno à normalidade. Uma fase que resgata nossa esperança e alimenta nosso otimismo”, afirmou o governador João Doria (PSDB).

RECLASSIFICAÇÃO

A nova classificação vale a partir da próxima segunda-feira. Em relação à semana anterior, somente municípios abrangidos por quatro das 17 regiões de DRSs (Departamentos Regionais de Saúde) permanecem na fase vermelha de restrição total de atividades não essenciais: Araçatuba, Campinas, Franca e Ribeirão Preto.

Agora são dez regiões e uma sub-região metropolitana na fase laranja. Segundo avaliação do Estado, as áreas de Bauru, Marília, Piracicaba, Presidente Prudente e Sorocaba avançaram da fase vermelha, e permaneceram estáveis as de Araraquara, Barretos, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, Taubaté e a sub-região Norte (Franco da Rocha) da Grande São Paulo.

A etapa laranja permite funcionamento com 20% da capacidade de atendimento presencial em escritórios em geral, imobiliárias, comércio de rua, shoppings e concessionárias. A abertura é restrita a quatro horas diárias, todos os dias, ou seis horas durante quatro dias e fechamento por outros três.

Para a etapa amarela, avançaram Baixada Santista, Registro e as sub-regiões Leste (Alto Tietê) e Oeste (Osasco) da Grande São Paulo. Todas as cidades destas áreas se juntam à capital e às sub-regiões Sudeste (ABC) e Sudoeste (Taboão da Serra) da região metropolitana e poderão seguir rígidos protocolos sanitários para reabrir bares, restaurantes, salões de beleza com 40% da capacidade, academias com 30% e expediente diário de até seis horas na próxima semana.

As regiões que permanecerem por 28 dias seguidos na etapa amarela também poderão reabrir, com limitações, espaços culturais como museus, bibliotecas, cinemas, teatros e salas de espetáculos. Se a estabilização da pandemia se mantiver até o final do mês, a capital e as sub-regiões do ABC e de Taboão da Serra poderão obter essa permissão no próximo dia 27.

As três próximas atualizações programadas do Plano São Paulo estão previstas para os dias 24 de julho e 7 e 21 de agosto. Os índices epidemiológicos e capacidade hospitalar são verificados semanalmente e, em caso de piora acentuada, pode haver regressão de fase em caráter extraordinário. Tal medida já foi adotada em 19 de junho, nas regiões de Registro e Marília, e em 3 de julho, na área de Campinas.

VAGAS EM HOSPITAIS
Segundo os indicadores de saúde nesta sexta atualização, a ocupação de leitos para atendimento a pacientes graves de covid-19 é satisfatória na maioria das regiões, mas há alerta em relação a cidades dos DRSs de Campinas (80%), Franca (85%) e Ribeirão Preto (88%), além de atenção especial a Barretos (78%), Piracicaba (78%) e Sorocaba (74%).

A média estadual é de 65% de ocupação em leitos de terapia intensiva, com aumento de um ponto percentual em relação à semana passada. A média de leitos de UTI para casos graves de coronavírus permanece em 20,2 vagas para cada cem mil habitantes.

NO ESTADO

Nesta sexta-feira o Estado de São Paulo registrou 17.442 óbitos e 359.110 casos confirmados do novo coronavírus. Dos 645 municípios, houve pelo menos uma pessoa infectada em 632 cidades, sendo 407 com um ou mais óbitos.

Entre o total de casos diagnosticados de covid-19, 204.531 pessoas estão recuperadas, sendo que 51.515 foram internadas e tiveram alta hospitalar.

As taxas de ocupação dos leitos de UTI são de 63,8% na Grande São Paulo e 65% no Estado. O número de pacientes internados é de 13.550, sendo 8.259 em enfermaria e 5.291 em unidades de terapia intensiva, conforme dados das 10h30 da manhã de hoje.


  Entre as vítimas fatais estão 10.081 homens e 7.361 mulheres. Os óbitos continuam concentrados em pacientes com 60 anos ou mais, totalizando 74,5% das mortes.

Beto Silva

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