Aumento no uso das redes sociais gera mais casos de ciberbullying

Foto: Pexels

Exposição pública na internet pode causar problemas psicológicos como ansiedade, depressão e pânico

A pandemia do coronavírus afetou muito a saúde do mundo. Não somente em seu fator físico em que o vírus infecta o corpo da pessoa, mas o psicológico de muitas pessoas foi afetado por conta do isolamento social e, por consequência, a extensão de tempo nas redes sociais.

Não foi pouco o aumento de tempo entre os usuários de internet e redes sociais. De acordo com dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), em junho de 2020, houve um aumento entre 40% e 50% na movimentação de usuários no ciberespaço, ao passo que o incremento do uso das redes sociais se deu em um índice de 75%, segundo pesquisa da Loures Consultoria, especializada em dados e insights.

Se por um lado o incremento das relações sociais estabelecidas em âmbito virtual, aliviou a saudade de famílias e amigos que já não podiam se encontrar, a maior quantidade de interações nas redes sociais e de tempo de uso, possibilitou também que um crescente índice de exposição destes usuários às mais diversas situação de importunação virtual, muitas delas já configuradas como crimes pelo Código Penal brasileiro.

De acordo a SaferNet, organização não governamental que atua na defesa e na promoção dos direitos humanos na Internet, foram recebidas e processadas, nos últimos 15 anos, cerca de 4,2 milhões de denúncias anônimas, ocasionando o atendimento a 32.579 pessoas em todas as Unidades da Federação do país. Dados específicos para o ano de 2020 sobre as principais violações para as quais os internautas brasileiros pediram ajuda apontam 428 casos de ‘problemas de saúde mental e bem-estar’, 355 casos de ‘exposição de imagens íntimas’ e 234 casos de ‘ciberbullying’.

Casos assim podem primeiramente causar problemas psicológicos como ansiedade e depressão e, se não forem tratados, podem levar a problemas físicos também.

CUIDADOS NAS REDES

Para o escritor e treinador comportamental Marcos Mazullo, a melhor forma de impedir que a internet seja a causa de problemas de saúde mental é dosar o uso dela para um tempo saudável. Sua regra máxima ‘é melhor prevenir do que remediar’, neste contexto, é válida. A superexposição nas redes sociais, por exemplo, é algo que deve ser evitado, a menos que o usuário seja uma pessoa pública, com a exposição da imagem atrelada ao sucesso profissional. ‘Neste caso, é preciso que se crie um mecanismo de blindagem da parte emocional contra críticas. Uma boa alternativa é não responder a ataques, pois eles, ao contrário de ajudar, vão reforçar ainda mais as investidas de um possível abusador’, recomenda Mazullo.

Se a pessoa já está demonstrando sinais se depressão ou ansiedade como: ansiedade, apatia, culpa, descontentamento geral, desesperança, mudanças de humor, perda de interesse entre outros, o ideal é a procura de um profissional da área psiquiátrica ou psicóloga. Amigos e familiares a pessoas que estão com esse problema também podem ajudar de modo afetuoso acolhendo a vítima.

‘A nossa autoestima é um ativo valioso e que precisa ser cuidada, pois ela significa a forma como nos vemos, e se estamos misturando o nosso ponto de vista com o ponto de vista do outro sobre nós, há uma distorção dela’, explica o profissional, ressaltando que, do ponto de vista legal sob a causa do problema, o único caminho a ser tomado é a ‘procura por um advogado e as autoridades responsáveis’.

Larissa Anunciato
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