Autoridade não é autoritarismo, é mostrar o caminho

Formado em processamento de dados pela Unifran (Universidade de Franca), em filosofia pelo Instituto Agostiniano de Filosofia e em teologia pelo Instituto de Teologia da Arquidiocese de Ribeirão Preto. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

O b i s p o D o m D e v a i r Araújo da Fonseca é o 6º bispo da Diocese de Piracicaba. Ele nasceu em Franca, no dia 1º de fevereiro de 1968, filho único do casal Jadir Araújo da Fonseca e Ivanilde Eugência da Conceição. Formado em processamento de dados pela Unifran (Universidade de Franca), em filosofia pelo Instituto Agostiniano de Filosofia e em teologia pelo Instituto de Teologia da Arquidiocese de Ribeirão Preto.

Em Franca, aos 15 anos de idade, trabalhou na indústria de calçados. Aos 19 anos começou a carreira de bancário até 1992 quando, aos 24 anos, entrou para o seminário onde ficou até 1998, ano em que foi ordenado diácono em agosto e padre em dezembro.

Como padre, foi vigário da paróquia São Benedito, depois primeiro pároco da paróquia São Crispim. Em 2000 seguiu para Roma onde fez mestrado em teologia dogmática na Universidade Gregoriana.

Dom Devair morou em Roma de 2000 até 2002 e, na volta, trabalhou no seminário de 2003 até 2012.

Em 2012 foi para a paróquia de São José de Hortolândia onde ficou até 2014 quando foi nomeado bispo auxiliar de São Paulo. Nesse período – 2003 a 2014 – quando ainda estava na Diocese de Franca, foi assessor da Escola de Teologia para Leigos e da Escola Diaconal, trabalhou também como capelão do Carmelo Santa Teresa e Santa Mira, em Franca.

Em 2015 foi ordenado bispo no dia 1º de fevereiro e, seis dias depois assumiu a Arquidiocese de São Paulo, onde ficou até 2020, quando veio a nomeação para a Diocese de Piracicaba.

Antes de  assumir a Diocese de Piracicaba o senhor  atuou em São Paulo, na Capital.  Em qual região e por quanto tempo antes de vir para Piracicaba?

Atuei na Região Brasilândia em são Paulo entre 2015 e 2010, a região pastoral Brasilândia é uma região mais ao norte de São Paulo, uma característica é que existem muitas comunidades periféricas, é uma região mais pobre mas, como toda cidade, ela tem o contraste daquilo que é mais pobre com o mais rico.

Há uma definição de tempo para que um bispo permaneça em uma Diocese? Quais os fatores são levados em consideração para a transferência?

Não há uma definição de tempo. A rigor ele é mandado a uma diocese sem tempo definido, quando há uma necessidade, motivação, então é que se faz a transferência dos bispos, essas necessidades ou motivações dependem de uma série de fatores que não estão ligadas à pessoa do bispo, mas sim, a uma necessidade da Igreja. A Igreja precisa de um bispo em determinado lugar, ela entende que a experiência, a vida daquele bispo estaria mais apropriada para aquele exercício do ministério naquela diocese, então é feita uma consulta , não ao bispo que está sendo transferido, mas a outros bispos e arcebispos, que opinam sobre isso e, a partir dessa opinião e consulta se faz a indicação daqueles que são apresentados para ocupar aquela diocese, se faz uma seleção de três pessoas, se apresenta ao papa e ele faz a confirmação.

Qual a diferença e semelhança entre uma diocese da capital com o interior?

A própria realidade da cidade é um fator. Uma diocese como São Paulo está totalmente dentro de um município. A arquidiocese de são Paulo ela é uma parte do município de São Paulo, não é a totalidade do município porque existem outras três dioceses que ocupam parte da cidade também. Mas a Diocese de São Paulo ela está inteira no município. Pelo contrário, as dioceses do interior ocupam uma área maior que abrange mais municípios como é o caso de Piracicaba que abrange 15 municípios que fazem parte dessa área. O Segundo fator é que além da distância, da questão geográfica é a própria estrutura de igreja, aqui nós temos uma multiplicidade de expressões enquanto que na cidade grande existe essa multiplicidade, mas ela está mais compacta, está mais próxima. Aqui nós temos as características próprias de cada município, de cada realidade, além disso acho que fatores como deslocamento, comunicação, fatores econômicos que influenciam numa estrutura diocesana, então tudo isso são elementos que fazem as características de uma diocese. É claro que uma igreja particular, uma igreja diocesana do interior tem outra vida, outra forma de viver. Algo que me chamou muito atenção quando fui para São Paulo em 2015 é o fato das celebrações. O fato como elas ocorrem , aqui no interior a gente consegue , por causa da distância e do deslocamento, fazer celebrações com muita facilidade durante a semana, por exemplo, no horário das 19h. Numa cidade como São Paulo, onde as pessoas têm de se deslocar a grandes distâncias com os meios de transporte público, isso não é possível. Então muitas vezes a gente precisa fazer uma opção: a de celebrar ou de fazer uma reunião porque as celebrações e as reuniões teriam de começar depois das 20h e não é possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo porque as pessoas que vão para esses encontros são pessoas que trabalharam o dia todo e às vezes não têm tempo de ir em casa e no outro dia muito cedo têm de se levantar, pegar o transporte para chegar ao trabalho, então é um desgaste muito grande.

O senhor pretende promover mudanças na Diocese de Piracicaba? Quais?

Mudanças sempre acontecem, seja mudança de padres, sejam mudanças administrativas e são coisas que vão acontecendo muito naturalmente, não é uma coisa para a gente achar estranho, mas as mudanças elas vêm logo ou demoram depende, cada coisa acontece no seu tempo. Às vezes, questões administrativas a gente precisa mudar mais rápido, às vezes não, questões pastorais a gente precisa fazer uma intervenção, então depende um pouco de cada situação. Mas as mudanças sim, elas acontecem e uma das coisas que nós não podemos ter medo é justamente das mudanças. Eu falo sempre brincando com os padres que a minha vida eu não tive muito problema com mudanças, porque os 16 anos que eu fiquei na Diocese de Franca, como padre, eu fui transferido para ocupar cargos ou para atender a determinadas necessidades pastorais várias vezes. Eu estava no seminário de 2003 até 2012 mas nesse período eu fui deslocado 12 vezes.

Beto Silva
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