Bairros históricos oferecem lazer, cultura e boa gastronomia

Terceira reportagem da série sobre os pontos turísticos traz os bairros Tanquã, Monte Alegre e Rota Tirolesa. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Caminhar pelas ruas dos bairros Monte Alegre, Santana e Santa Olímpia, em Piracicaba, é como folhear um livro de história. São locais que permitem aos visitantes ter um contato mais próximo com os costumes, cultura e gastronomia herdada dos colonizadores daquelas regiões.

Na terceira reportagem da série sobre os pontos turísticos do município, o Jornal de Piracicaba mostra os encantos desses bairros históricos, assim como os atrativos do Tanquã – um bairro rural conhecido como “Pantanal Piracicabano” – e as belezas proporcionadas pelo famoso passeio de barco pelo Rio Piracicaba.

De origem italiana, Monte Alegre surgiu no século 19 com a chegada dos imigrantes para trabalhar na usina de cana-de-açúcar existente no bairro. Mais tarde, em 1910, a usina foi comprada por Pedro Morganti, que construiu uma colônia, às margens do Rio Piracicaba, e que serviu de moradia para 1,7 mil pessoas na época.

Atualmente, de acordo com a diretora de Turismo da Semdettur (Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo) de Piracicaba, Rose Massaruto, uma grande parte da área tombada é privada, de propriedade do piracicabano Wilson Guidotti Júnior, o Balú, que está fazendo do bairro um polo gastronômico.

“Monte Alegre é um importante atrativo turístico histórico e cultural da cidade. O local possui uma arquitetura lindíssima, uma bela paisagem e muitos cheiros e gostos despertados pelos restaurantes, bares e docerias do local”, destacou a diretora de turismo.

Um desses points gastronômicos é a Vila Itália Bar e Restaurante. “Iniciamos as atividades há cinco anos e atendemos clientes até de São Paulo, que vêm exclusivamente para almoçar e jantar”, afirmou Gustavo Aguiar Ferrato dos Santos, proprietário do local, que por conta da pandemia do novo coronavírus só está atendendo com delivery.

“Apesar do nome ser Vila Itália, considero a nossa gastronomia como sendo contemporânea, já que servimos opções adaptadas ao nosso tipo de cultura, porém, é claro, com foco na italiana”, disse o empresário. O restaurante funciona na Avenida Comendador Pedro Morganti, via ocupada por outros nomes como o Parrilla Monte Alegre Restaurante, além de docerias e cafés.

ROTA TIROLESA

Santa Olímpia e o bairro vizinho Santana formam a última colônia de origem tirolesa do sudeste brasileiro, originada por imigrantes trentinos.

A comunidade tem forte apelo para a conservação das tradições e costumes dos imigrantes por meio da culinária, construções históricas e do próprio dialeto ítalo-tirolês ainda usado.

Entre as atrações, a Igreja Nossa Senhora da Imaculada, a Via Sacra e a Galeria da Cucagna – um conjunto de pequenas lojas e bistrô.

Os moradores da região desenvolvem desde 2013 um projeto batizado de Rota Tirolesa. Trata-se de um passeio por diversos atrativos dos bairros, uma verdadeira imersão na história, cultura e gastronomia trentina.

Para atrair ainda mais visitantes, a intenção da diretoria de Turismo é implantar vias de acesso, ciclovias e áreas de calçamento nos três bairros – Monte Alegre, Santa Olímpia e Santana -; bem como investir no Museu de Santa Olímpia.

Segundo Rose Massaruto, as melhorias, no entanto, dependem de Piracicaba se tornar MIT (Município de Interesse Turístico), condição que dá acesso a uma verba estimada em R$ 700 mil por ano para ser investida no turismo local. O recurso extra é pago pelo governo do Estado.

O pedido para que Piracicaba se torne um MIT tramita na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) por meio de dois projetos de lei de autoria dos deputados estaduais Roberto Morais (CID) e professora Bebel (PT).

PANTANAL PIRACICABA

Bairro rural e distante do Centro de Piracicaba, Tanquã conta com paisagem natural singular, que lhe rendeu o apelido de “Pantanal Piracicabano”, em função das espécies de flora e fauna distintas.

No local é possível observar águia-pescadora, marreca-caneleira, irerê, mergulhão-caçador, falcão-peregrino, entre outras espécies. O acesso ao bairro se dá pela SP-304 (Rodovia Geraldo de Barros) Piracicaba/São Pedro ou pela SP-147 (Rodovia Samuel de Castro Neves) Piracicaba/Anhembi.

Uma outra maneira de apreciar as belezas de Piracicaba é por meio do famoso passeio de barco comandado pelo piracicabano Luís Fernando Magossi.

Presidente do Instituto Beira Rio, que há dez anos realiza ações em prol da preservação do Rio Piracicaba, Magossi é bastante conhecido na cidade por conta do passeio de barco. “O maior atrativo é a natureza, a beleza do rio, das aves, dos peixes”, disse.

O trajeto dura de 10 a 13 minutos, saindo do píer de atracação de barcos na projeção da Rua 15 de Novembro, passando por baixo da Ponte do Morato, mais 100 metros, faz o retorno e volta. “Apesar de ter uma duração pequena, descemos devagar, conversando, mostrando algumas peculiaridades do rio. Na volta, subo em uma velocidade de 40, 45 quilômetros por hora e no final faço uma curva acentuada para os dois lados, que é chamada ‘curva da sogra’”, explicou.

Magossi disse não ser necessário fazer reserva. “Trabalhamos das 9 às 18 horas e realizamos o passeio mesmo se tiver apenas uma pessoa. Basta pagar R$ 15”, afirmou. Ele já atendeu visitantes de todas as cidades da região e de muitos países como Japão, China, Estados Unidos, Nova Zelândia e África do Sul.

Ana Carolina Leal
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