Basquete: fator de transformação na vida de três jovens

0
59 views
Jonata, Jonathan e Ana Carolina tiveram o basquete como ponto de equilíbrio em suas vidas (Foto: Divulgação)

Ana Carolina, Jonata e Jonathan são três adolescentes de 19 anos, que cresceram juntos. O trio se conheceu na Escola Municipal Professora Maria de Lourdes Fuzetti Lorenzi, a creche Petrópolis. Mais tarde, estudariam juntos na Escola Estadual Professora Mirandolina de Almeida Canto e também Escola Estadual João Guidotti. A relação entre eles, porém, foi estreitada em uma quadra poliesportiva instalada no Tiro de Guerra, onde fica um dos dois núcleos mantidos pelo IPM (Instituto Passe de Mágica) na cidade do interior paulista.

Na quadra, eles precisaram de apenas três minutos para chegar ao consenso sobre a palavra que melhor define o legado deixado em suas vidas pelo IPM, associação sem fins lucrativos criada em 2004 pela medalhista olímpica e campeã mundial de basquete, Magic Paula: evolução.

Com duas passagens pelo projeto, a primeira quando estava na primeira série do ensino fundamental e a segunda cinco anos depois, Jonathan Ferraz tinha vários problemas relacionados à indisciplina na escola. Ele conta que não sabia lidar com hierarquia e tampouco levava desaforo para casa. “Tive 32 ocorrências em uma semana (risos). Aos poucos, fui trabalhando isso no projeto e acabei mudando. O reflexo aconteceu nas minhas notas também, que melhoraram muito”, disse o jovem, ressaltando o ambiente do Instituto. “O IPM é muito mais do que basquete. Para mim, serviu de didática, comecei a me apaixonar pelo esporte e pela saúde. Isso me ajudou a não ter vícios da adolescência. Não bebo, por exemplo. A transformação foi tão clara que comecei a falar em fazer faculdade, coisa que eu não dizia antes”, disse.

Após três anos tentando, Jonathan ingressou no curso de ciências do esporte, na Unicamp (Universidade de Campinas). No campus Limeira da Universidade Estadual de Campinas, o calouro Jonathan reencontrará Ana Carolina Urizzi, que caminha para o terceiro semestre do mesmo curso. Assim como o ‘bixo’, ela valoriza a evolução humana que teve no Instituto Passe de Mágica. “Eu era ‘bocuda’, respondia bastante, principalmente em casa. Na escola, eu era dispersa. No IPM, não tive uma mudança radical: foi algo gradativo, mas importante para o meu crescimento pessoal”, disse Ana Carolina, ressaltando sua caminhada após entrar no IPM.

“Em 2015, consegui passar em um teste para jogar no XV de Piracicaba e isso foi um sinal para mim, percebi que eu tinha condições de ser disciplinada e assumir responsabilidades. Estava começando a agir com alguma autonomia e, ao mesmo tempo, começava a entender o próximo também. Isso me fez evoluir tanto no basquete, no meu jogo, quanto no aspecto humano. Em casa, a relação melhorou muito. Sou muito próxima da minha mãe”, destacou.

Menos ‘agitado’ que os dois amigos, Jonata encontrou no projeto um cuidado especial. “O IPM não mudou tanto a minha personalidade em relação ao comportamento, pois sempre fui tranquilo. Mas, as aulas me ajudaram a suprir as ausências familiares. Nessa fase, tinha 12 anos e os meus pais estavam se separando. No basquete, eu encontrava os meus amigos, enquanto em casa ficava mais sozinho. Para uma criança, é muito importante ter uma companhia. Com o tempo, entendi a separação dos meus pais”, afirmou Jonata.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite o seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

quinze − 1 =