Biocombustíveis e horticultura estão entre os setores mais prejudicados na pandemia

Segundo estudo a população deixa de consumir esse produtos numa crise financeira (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Um estudo realizado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP aponta o impacto da pandemia do novo coronavírus no agronegócio. Mesmo tendo setores de alimentação considerados essenciais que não sofrerão com a crise, os setores de biocombustíveis, horticultura, floricultura, lácteos e agroindústrias como a têxtil-vestuária sentirão queda.

De acordo com a pesquisa, isso se dá devido a esses setores dependerem principalmente da demanda interna do país e serem produtos substituíveis e não essenciais, que a população para de consumir quando tem menos dinheiro.

O estudo é denominado “Especial Coronavírus e o Agronegócio”, está disponível no site do Cepea e tem por objetivo fornecer informações científicas aos atores do agronegócio. Os resultados dizem respeito às análises que especialistas do Cepea em cada setor fazem para esses mercados.

No atual cenário do brasileiro, segundo a porta-voz do estudo, Nicole Rennó, é necessário colocar que o brasileiro já vinha de uma crise, desde 2014 com a pior melhor após uma resseção da história. “O PIB (Produto Interno Bruto), de acordo com o Banco Central, deve recuar mais de 1% esse ano, a gente espera que a situação do consumo interno e da demanda interna, do poder de compra do brasileiro piore, ainda da situação que já não era boa dos últimos anos”, pontua.

De acordo com estudo, setor que já sente a pior queda na demanda é o de floricultura. O setor lácteo sentirá no médio prazo, quando os produtos como queijos e outros derivados do leite, que são produtos com maior valor agregado, devem ser substituídos ou não consumidos. As frutas e hortaliças, principalmente aquelas mais perecíveis ou mais caras, como folhosas, tomate, banana e manga também terão diminuição na demanda.

Entre os setores que não sofrerão com a pandemia estão o de carne e de grãos, principalmente pela alta do dólar nas exportações. “Mesmo a pandemia do Covid-19 afetando vários países, a demanda mundial pelos produtos do agronegócio brasileiro está num nível bom para carnes e grãos, por exemplo”, explica Nicole.

Além do isolamento social diminuir o consumo de combustíveis, no cenário do biocombustível, como o etanol, ainda entra a questão da queda no preço do petróleo, com a crise entre Rússia e Arábia Saudita. “Também uma queda sem precedente, algo não esperado essa guerra de preços. Com a queda do petróleo ser refletida na gasolina, como o etanol compete diretamente com [ela], a gente perde a competitividade do etanol”, avalia a porta-voz.

Um dos fatores que ajudará o agronegócio para que a demanda de produtos essenciais também não caia é a renda emergencial que o governo começou a pagar para famílias de baixa renda na última quinta-feira (9), quando 2,5 milhões de pessoas receberam a primeira parcela de R$600 do auxílio. “Sem entrar no mérito social de quanto essa ajuda é necessária para essas pessoas que ficam totalmente vulneráveis num momento desse, mas pensando no impacto disso no agronegócio, essa ajuda do governo, acaba garantindo a demanda”, avalia Nicole. “Essas pessoas, principalmente de baixa renda, uma grande parte do que elas ganham mensalmente vai para o consumo de alimento”, pontua.

Andressa Mota