Os desenhos feitos à mão são uma nova tendência para bolos de festas infantis, casamentos ou mesmo para bolos de encontros entre amigos para um chá da tarde. O trabalho é realizado com pincel ou aerógrafo (pistola que aplica tinta) e em cima, principalmente, do acabamento de pasta americana, mas esta não é a única opção, como conta a confeita e artista Andreia Renata. A piracicabana é uma das referências na cidade quando o assunto é arte em bolo.

Andreia conta que os bolos pintados à mãos são opções modernas das tradicionais camadas de glacê e chantilly. A decoração criativa – e flexível – é ótima para quem quer deixar a mesa de doces ainda mais bonita, além de combinar com qualquer ocasião. Além disso, transforma o bolo em uma peça única, permitindo que se tenha uma pintura exclusiva.

Unir confeitaria e arte foi natural para Andreia. “Minha mãe me colocou na aula de pintura em guardanapos quando eu tinha 11 anos. Comecei pintando com molde vazado”, ela conta. “Depois fiz aula de pintura em madeira e, posteriormente tela à mão livre. Sempre gostei da arte com os pincéis”. E, desde o ano passado, ela começou a pintar bolos à mão livre também. “Não passo nem o risco no bolo, vou pintando direto”, revela sobre uma destreza para poucos.

A técnica de pintura em bola surgiu na vida de Andreia após a experiência de pintura em guardanapos, logo depois das aulas de pintura em tela. ‘A pintura sempre me chamou a atenção e, como confeiteira, por que não unir as duas artes? Foi assim que tudo começou”.

Segundo a confeiteira, a massa não interfere na pintura. “Pode ser bolo de casamento ou de aniversario, que são os receados, ou aquele ‘bolo da vovó’, que é mais simples, geralmente pedido para um café da manhã ou tarde. O que influencia na pintura à mão é a cobertura do bolo”. Andreia destaca que as principais camadas para se aplicar a pintura são de pasta americana, de ninho ou fondant (cobertura típica inglesa, feita de açúcar, água, gelatina, gordura vegetal ou gordura e glicerol).

Os materiais utilizados para este trabalho, conta Andreia, são pinceis de vários tamanhos, “para filetar”. Ela usa tanto os quadrados como os arredondados, “sempre com as cerdas macias”, destaca. Para dar cor, ela opta por corante em gel, “porque é mais fácil de se aplicar, com diluição em álcool de cereais. Mas pode também ser corante em pó ou hidrossolúvel”, ela explica. A maioria dos bolos de Andreia trazem flores como tema. “A minha inspiração é floral, sempre gostei muito de flores, de paisagens”.

O processo demora? “É demorado, sim”, conta. A pintura é minuciosa e exige detalhes, e isso vai do perfil de cada artista e confeiteiros, aponta a confeiteira artista. “Os bolos mais simples, dos ‘da vovó’, trazem menos detalhes e faço mais rápido. Mas os de casamento e aniveráario demandam mais tempo e atenção. Fica horas para poder finalizar a peça que faz”.

Em Piracicaba, na visão de Andreia, bolo pintado à mão ainda é algo novo. “É uma área que não é muito procurada, fica muito com bolo coberto de chantili, com bico de confeitar. As pessoas deveriam ter mais interesse nos bolos contemporâneos”, ela pondera.

Segundo Andreia, a técnica pode ser aplicada, para diferenciar, até mesmo em bolos tradicionais, como os de laranja ou cenoura. “Aplica uma decoração, para sair da cobertura comum de chocolate, por exemplo”.

Andreia é uma confeiteira de mão cheia, daquela que gosta dos mínimos detalhes e, por isso, defende a pintura na finalização de suas criações comestíveis. “E também estou focada em aulas. Gosto bastante de ensinar confeitarias para crianças. Não trabalho só a confeitaria em si, mas também com a socialização, a matemática, a arte, questões emocionais etc”.

Erick Tedesco ([email protected])

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