Bom humor ajuda a promover a saúde do coração

O Grupo Doutores da Esperança, com atividades suspensas devido à pandemia, ajuda a levar humor e a promover esperança na UTI UCO (Unidade Coronariana) da Santa Casa de Piracicaba. (Foto: Divulgação)

No Dia do Comediante, reverenciado em 26 de fevereiro, a Santa Casa de Piracicaba alerta para a influência do humor na vida das pessoas e lembra que o riso pode reduzir o risco de doenças cardíacas e melhorar o estado geral de saúde do organismo.

Segundo o médico cardiologista intensivista Humberto Passos (CRM 73.689), coordenador da UTI Cardiológica (UCO) do EMCOR da Santa Casa, a Universidade de Loma Linda, na Califórnia (EUA), separou dois grupos de pessoas que tinham sofrido ataque cardíaco e estavam sob cuidados médicos.

“O primeiro grupo assistia a vídeos de humor diariamente, durante 20 minutos e, após um ano, apresentou queda de 66% da proteína C-reativa, que é um marcador da inflamação e do risco de problemas cardiovasculares”, observou Passos. Ele revela que a queda dessa substância no outro grupo foi de apenas 26%; ou seja, as pessoas que riram mais tiveram o risco de problemas cardíacos significativamente reduzido.

Passos aponta também a influência  do humor no aumento do “quarteto da felicidade”, formado pelos hormônios conhecidos como serotonina, endorfina, ocitocina e dopamina, responsáveis pela sensação de bem-estar e prazer.

Ele explica que, quando esses hormônios estão em “alta” no organismo, há diminuição do “status inflamatório”, da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, com vasodilatação das artérias e melhora da agregação plaquetária, resposta imunológica, bem como recuperação de processos de adoecimento,  fatores extremamente benéficos à saúde cardiovascular e à saúde integral do indivíduo.

“Desta forma, sem dúvida alguma, temos a possibilidade de viver mais e melhor e com muito mais qualidade de vida”, observa o médico. Para ele, através do humor é possível manter relações mais leves e com muito menos estresse,  o que leva o indivíduo a modificar o seu ‘ecossistema’ de forma a criar um ambiente benéfico que pode auxiliar e estimular a produção hormonal do quarteto da felicidade.

“Quando associamos esse quadro a uma alimentação saudável com atividade física regular e eliminamos hábitos perniciosos como o tabagismo e a obesidade, mantendo a disciplina espiritual associada a momentos de desconexão com as nossas rotinas, adicionando a elas mais  humor, riso e leveza, com certeza, diminuímos os quadros de infarto, AVC, depressão e câncer, resgatando a possibilidade de uma vida mais saudável e ampliada”, avaliou o cardiologista.

Para ele, usufruir e percorrer os benefícios de uma vida bem humorada faz com que a saúde cardiovascular se mantenha bem, sem depender apenas dos exames e tratamentos. “É preciso ir além; e o humor pode ser uma grande porta de entrada e permanência deste nível de consciencia e atitude”, observa, revelando que, olhar e experiencializar a vida com mais leveza é um fator construtor de saúde, em especial saúde cardiovascular.

Passos  adverte que, diante dos diversos cenários nos quais estamos inseridos, em especial nesses  tempos de pandemia que se alongam, o ser humano tende a se conectar mais  com a dor e com o sofrimento, seja devido a perdas de pessoas queridas ou através dos veículos de comunicação e os cenários pessimistas expostos.

“Os próprios ambientes de trabalho, muitos em home office, acabaram gerando muito estresse pela maneira como foram organizados, levando o indivíduo a perder o humor de forma a abrir portas para o adoecimento”, considera Passos.

Ele aponta também as alterações impostas às relações pessoais que, agora, ocorrem com anteparos e muitas vezes, apenas via online. “Nossos idosos foram encarcerados nas próprias residências e a solidão mal humorada assombra diariamente, deixando-nos mais tristes e solitários abrindo  fissuras para que o processo de adoecimento adentre silenciosamente”, considerou.

Humor no rádio

Neste cenário, a dica do cardiologista é para que o ser humano olhe para este tempo com mais leveza e humor, desmantelando essa realidade sisuda tendo o riso e o humor como mecanismos de saúde, a exemplo do que faz o radialista e comediante Alexsandro Migliari, durante o programa de humor intitulado A Hora do Leite, que ele apresenta ao lado de colegas pela rádio Educadora FM Campinas.

“O programa vai ar de segunda à sexta-feira, das 7h às 10h, com a proposta de levar humor e estimular o riso solto entre as pessoas”, informa.

Humorista há mais de 22 anos, ele fala sobre os benefícios da comédia e sobre o bálsamo de uma boa gargalhada. “Atuo no rádio há mais de duas décadas e coleciono inúmeros testemunhos e depoimentos de como pessoas foram ajudadas a sair da depressão e a se recuperaram com mais leveza de uma enfermidade em um leito de hospital somente porque, assim como meu pai fazia, conseguiram deixar de lado por momentos sua pesada cruz e mergulhar na benéfica catarse cômica proporcionada pelos personagens do programa”, contou.

Alexsandro revela que, em 2019, depois de um ano extremamente tenso, ele quase sofreu um infarto, permanecendo dois dias internado em uma UTI. “ Lá, o meu medo de morrer criou um muro em meu estado racional e aquilo que eu sabia sobre o bálsamo do riso estava muito distante daquela realidade hospitalar.

Mas, por ser um dos apresentadores de um programa cômico de rádio bastante conhecido na cidade, algumas enfermeiras perguntavam em tom alegre sobre sua atividade; talvez até como forma de tentar ajudá-lo a sair do quadro de apreensão em que estava. “De repente, percebi que estava em um leito de UTI fazendo as vozes dos meus personagens do rádio, com um grupo de enfermeiras e médicos rindo à minha volta”, revelou.

Segundo ele, a magia da comédia havia se estabelecido ali e, naquele momento, ele foi invadido por uma leveza de espírito que deixou claro que, se a equipe médica estava feliz, toda a UTI estava feliz. “Por isso, estou convicto de que  rir e fazer rir são remédios eficazes contra os males do corpo, da alma e do espírito”, disse.

Da Redação

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