É uma percepção indiscutível entre profissionais da saúde: a pandemia da covid-19 e o necessário isolamento social, principalmente nos cinco primeiros meses do período que se arrasta até hoje, afetou drasticamente as crianças. Foram retiradas do ambiente escolar, onde fazem a socialização entre seus pares; por um longo período sequer podiam sair às ruas, conhecer lugares e situações novas, enfim, tudo mudou.

Agora, no Dia das Crianças, uma data simbólica para exaltar a plenitude de viver, brincar e, obviamente, ser criança, psicólogos e pedagogos enfatizam que é, sim, preciso fazer algo diferente nesta data.

“Vale desfocar do isolamento, do medo e da ansiedade que este período gerou”, conta Rafaela Romani Angeli Camuzzi. O conselho da profissional aos pais é oferecer um dia diferente a elas. “Saia de casa, mesmo que seja para ficar no quintal, mas sempre com cuidado. Pule corda, ande de bicicleta, leia um livro com a criança”.

A psicopedagoga Ericleia Pivello compactua com Rafaela. “É um dia para os pais aproveitarem a folga do trabalho com os filhos e curtir juntos, seja com jogos ou um filme com pipoca”.   

O filho da assessora parlamentar Aldelize Nascimento, Luis Antonio Rieg, tem apenas quatro anos, mas muitas saudades. “Senti falta de ir no Sesc”, disse enfático ao ser questionado sobre o que mais queria fazer e estava impossibilitado por causa da pandemia. 

Já a irmã, Heloísa Helena, falou da saudade de ir na casa da prima Laura e no zoológico. Mas foi preciso um empurrãozinho da mãe para eles falarem da escola, ambos os pequenos, com apenas um “sim”, porém enfático. Quando fala em Dia das Crianças, os dois se entusiasmam e querem apenas saber de brincadeiras e, claro, presentes.

Heloise Milano se mostrou uma mãe superprotetora, no bom sentido, durante o período de isolamento social. Aliás, ela só permitirá que os filhos retornem às respectivas escolas quando os riscos de contágios forem mínimos, ou nulos.

Carmen, a menor, fala de suas saudades durante o tempo em casa. “Senti falta de ir no clube e na escola”. Já no isolamento, revela que brincou de boneca, viu menos televisão e interagiu ainda mais com os pais. “Brincamos de Hulk. A mamãe era o Hulk com voz de cachorrinho”. No Dia das Crianças, ela e o irmão Angelo tem vontades diferentes, mas ambas no espectro infantil. “Quero dar uma festa”, fala Carmen. “Quero que todos nos obedeçam”, exclama o menino.

Já o pequeno Bruno Pelissoli Oriani, filho de Lilian Pelissoli Oriani, precisou encarar a quarentena justamente no ano de troca de colégio. “Bem quando ia reforçar as novas amizades, começou a pandemia”, lembra a mãe. “Mas, por fim, acabou se entrosando bem com os amigos que jogam e acabou juntando os da escola nova com a antiga”, ela completa.

Vidrado em games, Bruno conta que gostaria de poder voltar a se encontrar com os amigos além do universo virtual, mas ganhou um presente no fim de semana e feriado do Dia das Crianças. “Vou me divertir com a família na praia, na casa dos avós”, conta. “Neste tempo, ele também andou de bicicleta e virou irmão mais velho, em dezembro vem a bebê da quarentena”, se diverte a mãe, que está grávida.

Mas o ineditismo imposto pela covid-19, para Heitor Barbosa Previtalli, de 15 anos, serviu para reforçar seu hábito de ler – recentemente ele foi uma das crianças homenageadas com a Medalha Thales de Andrade devido à paixão pela literatura. “Passei o tempo lendo livros, jogando jogos e conversando com amigos”, fala. Neste Dia das Crianças, apesar de não ser mais tão criança, ele conta que marcará o dia com atividades. “Vou dedicar o dia para coisas diferentes, como desenhar e jogar jogos de tabuleiro”.

Erick Tedesco 

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