Cães de volta à creche

Cães brincam sob monitoramento de profissionais | Foto: Claudinho Coradini

O início das aulas nesta semana do ano letivo de 2020, ao menos na rede particular de ensino, não é exclusividade para humanos. É também o período em que os pets também começam a ser desgarrados dos tutores e voltam às creches, ou day care, serviço oferecido em Piracicaba por diversas empresas, que tanto trabalham a socialização como bem-estar dos bichinhos.

Luke e Zya, dois yorkshires, pai e filho, respectivamente, de 6 e 5 anos, retornaram esta semana à rotina de sair de casa ao menos duas vezes por semana e passar as manhãs e tardes sob responsabilidade de monitores em uma das creches da cidade.

A tutora, Lúcia Helena Gabriel Fernandes Barros, conta que há cerca de quatro anos optou por deixá-los de segunda e sexta-feira na day care para tentar melhorar o comportamento dos cãezinhos. “Um é meu e outro da minha filha, mas tínhamos um terceiro cachorro, que faleceu. Acreditamos que os dois yorkshires se viram sem uma liderança no ambiente e começaram a brigar constantemente. Mas, com o cuidado de profissionais, eles melhoraram muito de comportamento”, ela afirma.

Os dois cães são um dos primeiros alunos do Brincacão, que está em atividade desde 2016. “Lá, aprenderam a dividir os brinquedos, cada um come a sua ração e não brigam mais”, revela Lúcia. Ao término da aula, ela ressalta, Luke e Zya voltam calmos, com energia devidamente gasta. “Dá pra perceber que é por causa do dia a dia na creche”.

Afinal, trata-se de um serviço diferente, um simples espaço para deixar os pets enquanto os tutores ficam foram de casa. Como em uma escola para crianças e adolescentes, o day care nestes lugares são recheados de atividades, organizadas de forma que o animal tenha uma experiência, de fato.

Henrique Soriano Alvarenga, proprietário do local, explica que o espaço educa cães com metodologia. “É baseada no conceito de bem-estar animal, com referência do que ensina o zootecnista Renato Zanetti, pioneiro nas creches em São Paulo e estudioso em comportamento animal”.

O day care de Alvarenga existe desde 2016 e hoje atende cerca de 30 cães por dia, com aulas ofertadas de segunda a sexta-feira. A dinâmica lembra, mesmo, a de uma escola para os humanos.

O dia é repleto de atividades. Começamos às 7h30 com a recepção dos bichos e, em seguida, começam as atividades para gastar energia, como correria e brincadeira de bolinha, sempre juntos aos monitores. É a hora que chegam mais animados, por isso algo mais intenso”, explica o proprietário da creche.

Para acalmar os cães, os monitores começam a recolher os brinquedos por volta das 11h30 e já é a tão esperada hora do almoço, seguido de uma hora de descanso. Mas as atividades voltam por volta das 12h30, até 15h, com o que chamam de “atividade de enriquecimento ambiental. “É dar vazão às necessidades naturais do cães, como forragiar, caçar, destruir uma caixa de papelão, por exemplo. É tudo aquilo que não podem, de alguma forma, fazer em casa”, conta Henrique, que ressalta: “Tudo com supervisão de profissionais”.

Para poder ficar em creches, tanto a Brincacão com outras da cidade estão atentas a algumas questões, pequenos requisitos para o convívio, como aceitar apenas machos castrados, ser um cão minimamente sociável, ter todas as vacinas em dia, assim como ter tomado remédio para pulgas e carrapatos.

Também passam por uma avaliação comportamental para analisarmos se o cão ficará à vontade com os outros alunos da creche. Nesse dia, colocamos o cão que pleiteia a vaga com os cães mais dóceis e calmos”, relata Alvarenga.

E tem até formatura, ele conta. “Aí é um dia apenas para os tutores, sem os cães. Como geralmente tem uns comes e bebes, evitamos a presença dos alunos para, eventualmente, não acontecer aquelas trapalhadas que vemos em filmes”, se diverte, em tom de brincadeira, o proprietário da Brincacão.

Erick Tedesco ([email protected])