Calor, fumaça e baixa umidade contribuem para infarto e AVC

Animais também sofrem no período de tempo seco

Defesa Civil do Estado de SP informou que as temperaturas podem chegar a 35ºC nesta semana

A Defesa Civil do Estado de São Paulo informou que entre ontem (23), e a quinta-feira (26), as temperaturas vão subir gradativamente, com momentos de calor intenso em todo o Estado, com destaque para as regiões metropolitanas como São Paulo e Piracicaba, onde as temperaturas máximas vão chegar a 35º C. Como não há previsão para chuvas, a umidade relativa do ar vai permanecer baixa e o risco de incêndios aumenta ainda mais. Nos últimos dias, focos de incêndio em coberturas vegetais têm aumentado pelo território paulista, em Piracicaba.

O tripé tempo seco, baixa umidade do ar e queimadas é o causador e agravante de doenças respiratórias e pode ainda levar a quadros mais graves como infarto e AVC. Segundo a Defesa Civil, estudos apontam que a maior parte dos incêndios florestais é causada pelo homem, de maneira acidental ou intencional, sendo as causas mais comuns queimada para limpeza de terreno ou destruição de lixo, cigarros descartados acesos às margens de rodovias, soltura de balões que, além de ser crime, a cada três balões postos no ar, dois caem acesos. Na noite deste domingo (22) uma queimada atingiu uma área verde entre os bairros Água Branca e Chicó. A fumaça preocupou os moradores dos dois núcleos habitacionais. Moradora da região atingida, a técnica em enfermagem, Renata Polli, precisou socorrer sua cadela Kica, de nove anos, ao veterinário.

O animal passou mal e precisou receber sete inalações. “Eu não sabia como funcionava em animais, aprendi que eles devem ficar no banheiro durante o nosso banho para inalar o vapor no maior tempo possível”, contou acrescentando que a mascote já está bem.

INFARTO E AVC De acordo com a cardiologista da Santa Casa de Piracicaba, Juliana Previtalli, quando ocorre a mistura da alta temperatura com a baixa umidade relativa do ar, o problema pode ficar mais exacerbado. “O nosso corpo vai se equilibrar, ele não gosta de uma umidade do ar baixa, nossas células estão cheias de água e se você está num lugar muito seco, vai haver perda maior da água para o meio ambiente. Se a gente junta a alta temperatura, que promove a vasodilatação com a baixa umidade do ar, que aumenta a transpiração, vamos ter uma desidratação, você está perdendo calor para transpirar e tentar manter a temperatura do corpo e perdendo naturalmente líquido por causa da umidade baixa, vai acontecer desidratação que leva a desmaio, tontura, arritmia cardíaca, aumento da viscosidade do sangue. Esse aumento da viscosidade é um dos fatores para alteração na coagulação sanguínea, que pode levar à trombose e, consequentemente, a um infarto e AVC”, apontou a médica. O pediatra coordenador do Programa Saúde da Criança de Piracicaba, Rogério Tuon, chama a tenção para as doenças respiratórias nesse período. Segundo ele, mesmo as pessoas que não têm a doença prévia, sofrem quando a umidade está baixa. “A OMS (Organização Municila da Saúde) aponta para 60% umidade relativa do ar como ideal”, observou o médico.

Em Piracicaba, a umidade do ar estava em 29% nesta segunda-feira. Entre os cuidados está beber água regularmente e atenção com a população vulnerável, que são as crianças e os idosos e pessoas com deficiência, que não lembram ou não conseguem pedir água. As orientações clássicas, segundo Tuon, são beber água no decorrer do dia, evitar sol nos horários entre as 10h e 16h, usar soro fisiológico nas narinas várias vezes ao dia e, na hora de dormir, colocar bacia com água morna no quarto e na casa. “Pela manhã não esquecer de abrir toda a casa para que esse vapor saía porque a alta umidade também pode causar aumento da proliferação de ácaros”, explicou.

Beto Silva

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