Câmara de Vereadores rejeita pedido de cassação de Barjas Negri

A decisão foi tomada na noite desta segunda-feira (6), quando a Câmara realizou duas reuniões extraordinárias (Foto: Claudinho Coradini/JP)

A maioria dos vereadores de Piracicaba rejeitou o trâmite do pedido de cassação do mandato do prefeito Barjas Negri (PSDB). Por 19 votos contra três, a denúncia apresentada pelo Movimento de Combate à Corrupção em Piracicaba não prosperou na Câmara de Vereadores.

A votação da proposta ocorreu anteontem quando a Casa realizou duas reuniões extraordinárias para a deliberação de pauta com 35 proposituras.

O documento de 21 páginas foi lido, na íntegra, pelo presidente Gilmar Rotta (Cidadania). O documento, assinado por  Walter Koch Rodrigues, se admitido pelo Legislativo, daria origem a uma comissão processante cuja evolução das investigações poderia levar o prefeito à perda do cargo.

A denúncia cita duas condenações de Barjas Negri pela Justiça: uma, já em segunda instância, em razão da contratação de uma consultoria de meio ambiente em 2005, e outra, de primeira instância, proferida no mês passado, relacionada à parceria público-privada com a Piracicaba Ambiental. Ambas as decisões determinam a suspensão dos direitos políticos de Barjas Negri por cinco anos, entre outras punições.

O documento foi protocolado em 29 de junho na Câmara, e o departamento de assuntos jurídicos emitiu parecer orientando que a admissibilidade da denúncia fosse colocada em votação.

Votaram favoráveis ao trâmite do pedido na Casa, a vereadora Adriana Sgrigneiro Nunes, a Coronel Adriana (PSL), e os vereadores Laércio Trevisan Jr. (PL) e Paulo Serra (Cidadania).

Trevisan disse que as práticas da administração Barjas Negri condenadas em primeira e segunda instâncias lançam mão de “aditivos ilegais” e “licitações direcionadas”.

A vereadora Coronel Adriana (PSL), apresentou uma lista com 87 processos a que Barjas Negri responde e apontou como “modus operandi” do governo municipal “contratar empresas e fazer vários aditivos”. “Um prefeito com histórico de práticas questionadas na gestão pública tem condições de permanecer?”, questionou.

O líder do governo na Câmara, José Aparecido Longatto (PSDB) disse que “não é verdade” que Barjas Negri é considerado inelegível. “Existe processo que ele está respondendo? Existe, mas precisamos esperar a terceira instância dar o julgamento final, pois há recursos que estão sendo analisados”, afirmou.

O advogado Rogério Gonçalves, que formatou o documento protocolado na Câmara, disse ontem ‘que serão apresentadas outras medidas e acrescentou que o movimento vai se manifestar oficialmente nesta quarta-feira sobre o assunto.

Beto Silva