Câmara vai fazer moção contra corte de 12% no atendimento do SUS

Hospitais deixarão de receber R$ 1,2 milhão | Foto: Claudinho Coradini/JP

Hospitais filantrópicos e santas casas do Estado de São Paulo, como o HFC (Hospitais dos Fornecedores de Cana) e Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba, vão sofrer um corte de 12% no recursos que recebem do governo estadual neste ano.

A resolução, publicada no Diário Oficial na quarta-feira (6), anuncia que recursos serão retirados de dois programas de auxílio: Pró-Santa Casa e Programa Sustentável. Ontem, o vereador Gilmar Rotta (CID), presidente da Câmara de Vereadores de Piracicaba, disse que vai fazer um apelo ao governador João Dória contra o corte no SUS (Sistema Único de Saúde).

No entanto, como ressaltou a assessoria do Legislativo, a moção de apelo entrará na pauta da Casa apenas em fevereiro, quando voltar as reuniões ordinárias. “A fim de agilizar o processo, o parlamentar também encaminhará ofício ao governador. Ele busca ainda o apoio dos demais vereadores para que todos assinem a moção”, informa em nota.

Em meio à crise da pandemia da covid-19, ao menos 180 entidades que realizam a maior parte do atendimento do Estado terão corte de R$ 80
milhões no ano. O setor destina mais de 47 mil leitos de enfermaria e mais de 7 mil leitos de UTI ao SUS. Além disso, representa mais de 50% das internações e mais de 70% dos atendimentos em alta complexidade, como oncologia, cardiologia e transplantes.

Segundo o Governo do Estado, a decisão foi tomada pela necessidade de ajuste orçamentário de custeio, além da implementação de recursos na aquisição de insumos e contratações de emergência para o combate da pandemia. A resolução, também de acordo com o Estado, visa, manter a austeridade e o equilíbrio das contas públicas.

No entendimento de Rotta, “é importante que todo recurso para combate à pandemia da covid-19 seja mantido, mas que a medida seja revista para não afetar os demais atendimentos”.

“Em meio à maior crise de saúde pública, as entidades que realizam a maior parte do atendimento no Estado terão corte de R$ 80 milhões ao ano. Os programas estaduais já sofriam com a defasagem dos valores e cortes anteriores, mas não conseguirão sustentar o mesmo volume e qualidade no atendimento com esse corte em plena pandemia”, observou Gilmar Rotta.

Com os cortes previsto pelo governo do Estado, tanto a Santa Casa de Piracicaba quanto o Hospital Fornecedores de Cana contabilizarão prejuízos na ordem de R$ 1,2 milhão cada e o reflexo disso é o impacto direto em atendimentos ambulatoriais de alta complexidade como os tratamentos de hemodiálise, oncologia, cardiologia, entre outros.

A Fehosp (Federação dos Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo) também se manifestou sobre a decisão e enviou carta ao governador, em que expõe a realidade das 1.832 Santas Casas e Hospitais sem fins lucrativos. “Caso (o governador) não encontre uma forma de remediar essa injustiça e se a legítima expectativa do setor que representa aproximadamente 60% dos atendimentos SUS não comover seu coração, a população só terá como alternativa buscar atendimento nos hospitais públicos estaduais”, disse o presidente da Fehosp, Edson Rogatti.

Erick Tedesco

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